Anthropic planeja captar US$ 3,5 bi no Japão em IPO na Nasdaq
Criadora do Claude viu receita saltar 1.127% no 3º trimestre, mas prejuízo avançou para US$ 23,3 bilhões com ajustes contábeis

A Anthropic, desenvolvedora responsável pelo assistente de inteligência artificial Claude, deu início às etapas formais para sua oferta pública inicial de ações (IPO) nos Estados Unidos mirando forte atração de investidores asiáticos. A companhia planeja levantar uma fatia de até US$ 3,5 bilhões especificamente no mercado japonês como parte do processo de estreia no mercado acionário.
Cronograma da oferta e pedido de listagem
As condições finais da operação, que incluem o volume exato de ações alocadas ao público do Japão, têm previsão de definição no intervalo entre novembro de 2026 e abril de 2027. Para viabilizar a operação em solo norte-americano, a empresa solicitou registro de negociação na Nasdaq com a utilização do ticker ANT, trâmite que ainda depende do aval dos reguladores.
Receita bilionária e impacto contábil nos resultados
Dados enviados à Securities and Exchange Commission (SEC) revelam o forte ritmo de crescimento do negócio. No terceiro trimestre de 2026, a receita atingiu US$ 16,956 bilhões — uma escalada de 1.127% em relação ao US$ 1,382 bilhão apurado em idêntico período de 2025. No acumulado dos primeiros nove meses do mesmo ano, as receitas somaram US$ 33,242 bilhões, contra US$ 2,545 bilhões do ano precedente.
Apesar do avanço comercial, as despesas operacionais trimestrais subiram para US$ 17,523 bilhões, gerando um prejuízo operacional de US$ 567 milhões. O prejuízo líquido consolidado do trimestre saltou de US$ 12,138 bilhões para US$ 23,291 bilhões, resultado diretamente influenciado por uma reavaliação contábil desfavorável de US$ 21,936 bilhões no valor justo de instrumentos financeiros da companhia.
Despesas bilionárias com infraestrutura até 2030
A documentação aponta ainda que a Anthropic acumulava US$ 13,8 bilhões em obrigações de desempenho contratuais a liquidar no encerramento de setembro. Ao mesmo tempo, a empresa assumiu compromissos vultosos para garantir sua operação futura: são cerca de US$ 895,4 bilhões contratados para infraestrutura e computação em nuvem, sendo que US$ 447,5 bilhões desse montante devem ser desembolsados até o final de 2030.
O avanço rumo a Wall Street e a busca por liquidez global refletem a intensidade de capital demandada pelo setor de inteligência artificial, que exige investimentos colossais em capacidade computacional para manter o desenvolvimento de novos modelos.



