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Ucrânia evacua civis perto do fim de trégua na região de Kherson

Operação humanitária ocorreu após cessar-fogo inédito mediado internacionalmente na cidade de Oleshky.

Ucrânia desloca civis próximo ao fim do cessar-fogo temporário em Oleshky

As forças militares da Ucrânia retiraram 167 moradores de áreas de risco na província sulista de Kherson neste domingo (1). A ação aconteceu justamente quando a trégua local e temporária estava prestes a expirar, dois dias após ônibus lotados deixarem o município de Oleshky, que se encontra sob domínio russo.

Fim da trégua em Oleshky O acordo de cessar-fogo com duração de seis dias foi estabelecido em Oleshky e arredores após articulação da primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, somada à participação do papa Leão XIV. O término da paralisação dos confrontos estava marcado para a meia-noite no horário de Moscou, equivalente às 18h no horário de Brasília.

Essa pausa nos combates representa a mais longa registrada desde o início da ofensiva russa em grande escala no ano de 2022.

“Unidades de cooperação civil-militar do grupo de forças ‘Sul’, em cooperação com representantes das autoridades locais, deslocaram 167 civis para locais mais seguros na região de Kherson”, escreveu o Estado-Maior da Ucrânia no Telegram.

O comando militar informou que entre as pessoas removidas estavam 22 crianças e 21 cidadãos com mobilidade reduzida que precisavam de suporte diferenciado.

Alertas oficiais e rota de fuga Diante do encerramento iminente do acordo de paz temporário, Oleksandr Prokudin, governador da região de Kherson, apelou para que os habitantes mantivessem alta cautela.

“Também recomendo fortemente que vocês não visitem as chamadas ‘zonas vermelhas’ – áreas e assentamentos próximos ao rio Dnipro”, escreveu Prokudin no Telegram. “A intensidade dos ataques russos nessas áreas permanece alta, e a ameaça à vida é extremamente elevada.”

Do lado de Moscou, Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, declarou que a Rússia avaliou positivamente a condução da operação em Oleshky e a cooperação entre os defensores de direitos humanos de ambos os países, conforme agências russas.

No sábado, civis exaustos e sem suprimentos deixaram Oleshky em direção ao território ucraniano após uma rota complexa. O trajeto inicial incluiu ônibus partindo da área de conflito na linha de frente até a Crimeia — anexada pela Rússia em 2014 —, passagens por Anapa na Rússia e voos por Belarus antes de chegarem à Ucrânia.

Yana Lantratova, comissária russa de direitos humanos, explicou que os interessados em sair foram levados inicialmente à Crimeia em 25 ônibus e nove ambulâncias antes de seguirem em comboios distintos. Ainda permanece incerta a quantidade exata de pessoas que decidiram continuar em Oleshky, situada às margens do rio Dnipro.

Perspectivas humanitárias e retomada dos conflitos A trégua permaneceu intacta desde a última terça-feira, sem registros de infrações, segundo dados confirmados por Kiev e Moscou. O armistício possibilitou a desminagem de vias terrestres e o envio de gêneros alimentícios, fármacos e outros mantimentos essenciais para a população local.

O pontífice manifestou o desejo de que a cooperação bilateral na execução da trégua em Oleshky sirva de base para futuras tratativas de paz mais amplas.

Melania Trump, escrevendo no X, disse que o cessar-fogo “proporcionou aos moradores a liberdade de se movimentar, acesso a alimentos, água potável, medicamentos, além de um renovado senso de dignidade sem a constante ameaça de ataques”.

Mesmo com o acordo pontual, as hostilidades persistiram em outras localidades ucranianas ao longo do domingo. Órgãos de segurança e governadores de províncias confirmaram fatalidades decorrentes de bombardeios nas regiões de Sumy, próxima à fronteira russa, e em Vinnytsia, situada no centro do país.