31/10/2026

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Raízen aprova plano de recuperação e divide operações em duas

A Raízen deu um passo definitivo em sua reestruturação corporativa nesta sexta-feira (30) ao aprovar uma série de deliberações cruciais para a execução de seu plano de Recuperação Extrajudicial, homologado em julho de 2026. Durante assembleias gerais extraordinárias, os acionistas avalizaram um aumento de capital que pode chegar a R$ 39,8 bilhões, além de uma redução societária de até R$ 35 bilhões para viabilizar a divisão das atividades da empresa.

Reestruturação societária e injeção de recursos

O encorpado aumento de capital será viabilizado por meio de três emissões simultâneas de papéis: ações ordinárias e preferenciais classe B (PNB) ao preço unitário de R$ 0,25, além de Units — formadas por uma ação ordinária e uma preferencial classe A (PNA) — custando R$ 0,50 cada. A operação contempla aportes robustos de até R$ 3,5 bilhões da Shell Brazil Holding e de até R$ 500 milhões da Aguassanta Participações, caso decida participar, complementados por conversão de créditos de credores e exercício de direitos de preferência.

O Conselho de Administração da Raízen S.A. se reunirá em 6 de novembro para formalizar a deliberação da capitalização. A mesma data servirá de corte para identificar os investidores com direito de preferência, cujos prazos de exercício ocorrerão entre 9 de novembro e 8 de dezembro de 2026, com negociações ex-direitos a partir de 9 de novembro.

Divisão em duas companhias independentes

A redução de capital em até R$ 35 bilhões ocorrerá com a entrega de valores mobiliários da Raízen Energia aos acionistas, passo fundamental para a segregação operacional. O mercado passará a contar com duas companhias abertas e independentes listadas na bolsa: a Raízen S.A., focada na distribuição de combustíveis e lubrificantes sob a marca Shell, e a Raízen Energia, dedicada à produção de açúcar, etanol e bioenergia.

A nova fase também prevê avaliações para potenciais investimentos na divisão de combustíveis, incluindo uma oferta pública secundária de ações. Ademais, as regras do plano de remuneração baseada em ações foram ajustadas para limitar o volume total a 1% dos papéis emitidos após a efetivação do aumento de capital.

Novos comandos e lideranças executivas

Para guiar essa nova etapa, as assembleias definiram a futura composição dos Conselhos de Administração, que contarão com sete membros titulares e sete suplentes cada. Samuel Aguirre presidirá o colegiado de combustíveis e lubrificantes, enquanto Julio Cesar de Toledo Piza Neto liderará o segmento de etanol, açúcar e bioenergia.

Na esfera executiva, os nomes escolhidos para tocar os negócios foram Lorival Nogueira Luz Jr. na distribuição e Geovane Dilkin Consul na bioenergia, ambos figuras da atual gestão. A gestão atual permanece à frente dos negócios até o cumprimento de todas as condições precedentes do plano.

Em comunicado, o CEO da Raízen S.A., Nelson Gomes, afirmou que a definição dos novos conselhos e a indicação antecipada das lideranças contribuem para dar previsibilidade à transição e manter a execução do plano de transformação operacional e financeira.

A companhia informou que continuará prestando esclarecimentos ao mercado e aos acionistas conforme novos marcos da reestruturação forem atingidos.