29/10/2026

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Dono do Banco Master acusa ministro Alexandre Silveira de caixa dois

O empresário Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, afirmou à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República que repassou R$ 40 milhões em recursos não declarados à Justiça Eleitoral para o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. As revelações surgiram durante tratativas para um acordo de colaboração premiada, que acabou não sendo aceito pelas autoridades competentes.

Esquema de repasses e as eleições

De acordo com o relato do ex-banqueiro, os valores teriam sido divididos em duas etapas distintas. O primeiro montante de R$ 20 milhões teria sido entregue em 2022, ano em que Silveira disputou uma cadeira no Senado representando o estado de Minas Gerais. Os outros R$ 20 milhões teriam sido repassados em 2024 para financiar candidaturas municipais mineiras.

Os pagamentos referentes ao pleito de 2024 teriam ocorrido em espécie e de maneira fracionada nas semanas que antecederam a votação. O dinheiro seria direcionado a prefeituras apoiadas pelo PSD, legenda na qual o ministro atua como um dos principais articuladores regionais. Como prova de corroboração, o investigado apresentou mensagens de texto trocadas com seu cunhado, o pastor Fabiano Zettel, sobre a retirada de montantes físicos.

Defesa do ministro e rejeição da delação

Alexandre Silveira negou veementemente as acusações de recebimento de valores ilícitos e classificou as informações divulgadas como um ataque à sua reputação.

Em nota enviada ao Metrópoles, o ministro afirmou que as doações recebidas durante sua campanha ao Senado, em 2022, seguiram a legislação eleitoral.

“Todas as doações recebidas por ele em sua campanha ao Senado em 2022 foram integralmente realizadas em estrita conformidade com a legislação eleitoral, regularmente declaradas e aprovadas pela Justiça”, afirmou a nota.

Questionado sobre as declarações atribuídas a Vorcaro, Silveira também criticou a publicação das informações.

“Publicar um suposto conteúdo daquilo que sequer existe — PGR e PF repudiaram propostas de delação — não é jornalismo; é manipulação deliberada”, declarou.

Os investigadores rejeitaram as propostas de colaboração apresentadas pelo ex-banqueiro sob a justificativa de que teriam ocorrido omissões sobre fatos já mapeados nas apurações.

Contexto das investigações e conexões políticas

Atualmente, Vorcaro cumpre prisão preventiva na Papudinha, situada no Complexo da Papuda, em Brasília, após ser alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero. No mesmo período, o pastor Fabiano Zettel também foi detido sob a suspeita de intermediar transações financeiras e atuar em esquemas ligados ao grupo investigado.

Em dezembro de 2024, o Palácio do Planalto foi palco de uma reunião secreta entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre Silveira, além de outras autoridades. De acordo com o governo, o encontro teve como foco exclusivo a situação financeira do Banco Master, embora tenha ocorrido no mesmo ano dos supostos repasses políticos não declarados em Minas Gerais.