Nayib Bukele parabeniza Lula e inspira o bolsonarismo com prisões
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, enviou uma mensagem oficial parabenizando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela vitória nas urnas no domingo (25). A gestão do líder salvadorenho na América Central, iniciada em 2019, tornou-se referência internacional devido ao forte combate às organizações criminosas e ganhou forte simpatia de alas conservadoras brasileiras, servindo de modelo para o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, na disputa eleitoral deste ano.
A mensagem enviada ao governo brasileiro
No texto enviado ao governo brasileiro, Bukele afirmou: “Em nome do povo e do Governo da República de El Salvador, de minha esposa Gabriela e em meu próprio nome, apresento a Vossa Excelência minhas felicitações por sua reeleição como Presidente da República Federativa do Brasil”.
Além disso, o chefe de Estado da América Central manifestou o desejo de estreitar os laços diplomáticos entre as nações, afirmando reiterar “a disposição da República de El Salvador de continuar fortalecendo as relações de amizade e cooperação entre nossos países, com base no respeito mútuo e no interesse comum de promover o bem-estar de nossos povos”.
Origem política e ascensão ao poder
Nayib Armando Bukele Ortez nasceu em 1981, na cidade de San Salvador, e trabalhou no ramo da publicidade antes de migrar para a vida pública. Ele administrou o município de Nuevo Cuscatlán a partir de 2012 e a capital a partir de 2015, concorrendo pela FMLN (Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional), partido esquerdista surgido após o fim da guerra civil salvadorenha.
Após ser expulso da sigla em 2017, Bukele criou o movimento Nuevas Ideas. Ele conquistou a presidência em 2019 pela GANA (Grande Aliança pela Unidade Nacional), quebrando a hegemonia bipartidária mantida desde 1992 entre a FMLN e a direita da ARENA (Aliança Republicana Nacionalista).
O plano de segurança e o encarceramento em massa
O governo estabeleceu o chamado “Plano Controle Territorial” para neutralizar as “maras”, facções dedicadas à extorsão e ao tráfico, a exemplo da MS-13 (Mara Salvatrucha) e da Barrio 18. Em março de 2022, após um pico de violência que contabilizou 87 homicídios em um único fim de semana, a Assembleia Legislativa votou a favor de um regime de exceção solicitado pelo Executivo.
A medida cassou garantias constitucionais fundamentais, a exemplo do devido processo legal, provocando a detenção de milhares de indivíduos suspeitos de integrar gangues. A administração também construiu o Cecot (Centro de Confinamento do Terrorismo), uma penitenciária de segurança máxima. Com isso, El Salvador alcançou a taxa mais alta de encarceramento global, mantendo cerca de 1,9% de sua população atrás das grades.
Controvérsias e impactos institucionais
Os registros oficiais demonstram queda drástica nos homicídios, passando de 104 por 100 mil habitantes em 2015 para 1,9 em 2023. Contudo, o modelo gera debates intensos na comunidade internacional. Entidades de direitos humanos e veículos de imprensa estrangeiros apontam detenções arbitrárias de cidadãos sem antecedentes criminais, superlotação carcerária e denúncias de tortura nas prisões.
Paralelamente, a partir de 2021, o partido Nuevas Ideas obteve maioria no parlamento. Com esse respaldo, o Legislativo destituiu magistrados da Suprema Corte e o Procurador-Geral, substituindo-os por aliados do governo. Em fevereiro de 2020, o próprio Bukele já havia ingressado no parlamento escoltado por militares armados para pressionar deputados pela aprovação de empréstimos para a segurança. Com o Judiciário reformulado, a nova Suprema Corte reinterpretou a Constituição, viabilizando a candidatura de Bukele à reeleição.



