25/10/2026

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Ri Happy consegue aval da Justiça de SP para recuperação extrajudicial

A Justiça de São Paulo deferiu o processamento do pedido de recuperação extrajudicial da Ri Happy e de outras cinco empresas associadas, em uma decisão que abrange um débito total de R$ 827,4 milhões.

Detalhes da decisão judicial A 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital paulista atendeu ao pleito apresentado pela rede de brinquedos, reconhecendo o preenchimento de todos os requisitos legais exigidos. Com a determinação da juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, o grupo ganhou um fôlego de 90 dias para assegurar o apoio majoritário dos credores, além de uma suspensão de 180 dias em ações e execuções judiciais relacionadas aos débitos incluídos no plano.

“A blindagem patrimonial visa assegurar ambiente negocial protegido, obstando atos expropriatórios individuais desordenados que esvaziem a empresa ou inviabilizem o plano antes de sua apreciação coletiva, resguardando o princípio da preservação da atividade e a paridade concursal”, afirmou a magistrada.

Estrutura empresarial e abrangência Além da marca principal, o processo envolve a PBKids Brinquedos, a Partout Administração de Franquias e Bens, a News Toys Comércio Distribuição e Importação, a Brincar Marcas e Participações e a DRH Casa de Festa. A Justiça autorizou a consolidação processual para que os trâmites ocorram de forma conjunta, embora tenha recusado a consolidação substancial, exigindo que cada companhia comprove individualmente o aval de seus credores.

Origem e expansão da marca Fundada em São Paulo no ano de 1998, a rede conta atualmente com 204 unidades próprias e 88 franquias, empregando diretamente mais de 2,6 mil colaboradores e registrando faturamento líquido médio anual de R$ 1,2 bilhão. Em 2018, após ser integrada por um fundo de investimento em private equity, a companhia tentou realizar sua abertura de capital na Comissão de Valores Mobiliários, mas o plano acabou interrompido por causa da volatilidade do mercado financeiro.

Fatores que levaram à crise No documento protocolado na Justiça, a empresa argumenta que o grupo passa pela necessidade de reestruturação ordenada de seu passivo, diante de uma série de fatores econômico-financeiros e mercadológicos que afetou suas atividades e, por consequência, sua capacidade de fazer frente à dívida abrangida neste procedimento.

A companhia aponta que a pandemia de Covid-19 provocou um “descompasso severo na estrutura financeira do varejo“, cenário que foi intensificado posteriormente pela alta inflacionária, pelo aumento dos juros e pela restrição ao crédito. Em agosto de 2023, o negócio já havia tentado ajustar R$ 292 milhões em compromissos bancários, mas a posterior elevação da taxa Selic tornou a operação insustentável.

“Esse movimento elevou o custo dos financiamentos, inclusive da dívida alongada em 2023, e agravou a crise econômico-financeira. É o caso do Grupo Ri Happy, que, ainda em recuperação dos efeitos da pandemia, passou a enfrentar um serviço da dívida (cerca de R$ 70 milhões/ano) incompatível com seu plano de negócios.”

Impacto no mercado e concorrência O aperto financeiro das famílias brasileiras, somado a uma retração de 15,5% nas vendas do setor de brinquedos ao longo de 2024, reduziu drasticamente o faturamento das lojas físicas e digitais. A administração ainda destacou a forte pressão competitiva de plataformas internacionais de comércio eletrônico com itens de baixo custo, a elevada carga tributária nacional e o efeito em cadeia sofrido por todo o setor varejista.