24/10/2026

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Carta santarém consolida dados ESG da mineração na amazônia

O setor mineral na Amazônia atravessa uma transformação profunda que vai muito além da produtividade bruta ou da riqueza geológica, exigindo total transparência e compromisso rígido com a preservação. Nesse cenário de alta sensibilidade ecológica, o lançamento do 1º Relatório ESG da Carta Santarém surge como um marco histórico para o estado do Pará e para toda a indústria do país.

Parceria estratégica e padrões internacionais

Fruto de uma articulação pioneira entre as empresas do setor e o poder público, a Carta Santarém reúne pela primeira vez, de forma sistemática, dados ambientais, sociais e de governança das principais operações minerais da região. São indicadores alinhados às referências internacionais do ICMM, do IFC, da GRI e do GHG Protocol. É justo reconhecer o empenho das empresas associadas que abriram suas informações e a parceria da Semas (Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará), que dá legitimidade institucional a esse esforço.

A mineração industrial formal opera sob rigoroso licenciamento ambiental, monitoramento contínuo, controle regulatório e governança estruturada, distanciando-se das práticas não reguladas. Ao mesmo tempo, os minerais extraídos no solo paraense assumem papel estratégico nas cadeias globais voltadas para a eletrificação, infraestrutura, mobilidade elétrica e economia de baixo carbono.

Protagonismo econômico e conservação ambiental

Os indicadores econômicos demonstram a relevância do estado no cenário nacional. Em 2025, a extração mineral paraense ultrapassou 300 milhões de toneladas, alcançando cerca de 27% da produção do Brasil. O valor gerado chegou a aproximadamente R$ 103 bilhões, o equivalente a 34,5% do faturamento mineral brasileiro, enquanto a arrecadação da CFEM atingiu R$ 3,1 bilhões, representando 39% de todo o recolhimento nacional.

O equilíbrio entre escala produtiva e preservação também se destaca na gestão territorial. As companhias associadas administram cerca de 940 mil hectares, garantindo que para cada hectare diretamente impactado pelas operações, cerca de dez sejam conservados, protegidos ou monitorados, além de 5 mil hectares em recuperação ativa. O reaproveitamento hídrico atingiu taxa média de 75%, somando 12,6 milhões de metros cúbicos reutilizados, com 85% da energia elétrica consumida provinda de matrizes renováveis.

Impacto social, segurança e governança de rejeitos

No âmbito social, a integração com os territórios é evidente. Cerca de 72% dos trabalhadores, próprios e terceirizados, são contratados no Pará, e metade das despesas operacionais permanece com fornecedores locais. A postura de desenvolvimento compartilhado refletiu-se em investimentos sociais superiores a R$ 2 bilhões em 2025, sendo R$ 1,79 bilhão de caráter voluntário, montante mais de oito vezes superior às obrigatoriedades legais.

A segurança e a saúde ocupacional também recebem atenção prioritária, com equipes cobertas por sistemas formais de gestão e treinamentos obrigatórios para todos os terceirizados antes do início das atividades. Na governança, a gestão de barragens se beneficia da baixa exposição a estruturas alteadas a montante e da adoção de métodos de disposição de rejeitos a seco em 32,6% da produção das associadas, solução que reduz o risco geotécnico e o consumo de água.

O horizonte do setor prevê a consolidação de séries históricas e a ampliação da rastreabilidade dos dados nos próximos ciclos, fortalecendo a governança ESG entre 2027 e 2028. O futuro da mineração dependerá da capacidade contínua de aliar responsabilidade socioambiental, geração de valor e resposta aos grandes desafios globais.