23/10/2026

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Lucas Pinheiro Braathen relata como aposentadoria salvou sua carreira no esqui

O campeão olímpico Lucas Pinheiro Braathen revelou que a autonomia para gerenciar a própria trajetória o ajudou a reencontrar a paixão pelas pistas, após enfrentar o desgaste da elite que o levou a abandonar o esporte aos 23 anos.

Retorno triunfal e nova fase

O atleta havia se afastado das competições em 2023 em decorrência de um atrito com a Federação Norueguesa de Esqui. No entanto, ele retornou às competições defendendo o Brasil e garantiu a medalha de ouro no slalom gigante durante os Jogos de Milão-Cortina, entrando para a história como o primeiro campeão olímpico de inverno do país sul-americano.

Aos 26 anos, o esquiador se prepara para a etapa de abertura da Copa do Mundo de esqui alpino masculino, programada para este fim de semana em Sölden, na Áustria. Segundo o competidor, a fundação de um grupo esportivo autônomo garantiu total autonomia sobre suas escolhas comerciais e profissionais.

“Coloquei todos os ovos na cesta de me tornar o melhor esquiador de competição do mundo”, disse Braathen à Reuters, em entrevista por vídeo de Gurgl. “Mas o porquê se perdeu nessa busca.”

Conflito e decisão drástica

Vencedor da Copa do Mundo de slalom em 2023, o atleta surpreendeu o mundo ao declarar o fim de sua trajetória nas pistas no término daquele ano, motivado por desentendimentos com os dirigentes noruegueses. De acordo com o esquiador, a encruzilhada exigia escolher entre seguir submetido a um modelo ultrapassado ou abandonar o esporte para ditar seus próprios passos.

“Eu podia continuar esquiando, mas deixando de lado meus próprios objetivos e sonhos e conseguindo satisfazer as expectativas de todos ao meu redor, ou podia perseguir meu verdadeiro sonho, mas deixando o esqui de competição de lado”, afirmou.

Nascido na Noruega e filho de mãe brasileira, o atleta oficializou seu retorno em março de 2024, passando a representar o comitê brasileiro na temporada seguinte.

Visão empresarial e parcerias criativas

A conquista histórica em fevereiro o transformou no primeiro sul-americano a subir no pódio dos Jogos de Inverno. Na mesma temporada, ele ainda faturou o título do slalom gigante da Copa do Mundo e assegurou o segundo lugar na classificação geral.

Para o medalhista, a gestão independente também mudou a forma como gerencia suas finanças e acordos publicitários, priorizando projetos conjuntos em vez de contratos tradicionais de publicidade. “Eu não encaro nenhuma das minhas parcerias como patrocínios. Eu as vejo como colaborações”, afirmou.

A marca Atomic oficializou recentemente a renovação de seu vínculo com o esquiador até 2030. O acordo prevê sua participação direta na engenharia e no desenvolvimento de novos materiais, indo muito além de uma simples vitrine de produtos.

“Para mim, o esqui é um estilo de vida”, disse. “É uma forma de permitir que as pessoas se encontrem e interajam com a natureza.”

Legado e impacto no Brasil

Competir sob a bandeira brasileira conferiu um significado especial à sua rotina profissional, embora o esqui ainda seja uma modalidade distante da realidade da maioria da população no país tropical.

O campeão deseja motivar jovens brasileiros a acreditarem em metas consideradas improváveis e participa ativamente de projetos sociais voltados a democratizar o acesso à prática esportiva.

“Espero que o fato de uma bandeira brasileira ter subido ao topo do pódio olímpico coberto de neve… inspire e mostre que os brasileiros são realmente capazes de alcançar tudo aquilo a que dedicarem coração e mente”, disse.

“A dura realidade no Brasil é que muitos não têm a possibilidade de participar.”