23/10/2026

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TSE cobra explicações da Meta sobre alcance de perfis políticos

A Justiça Eleitoral determinou que a Meta apresente explicações no prazo de 12 horas sobre os motivos do alcance considerado privilegiado de perfis de figuras políticas nas redes sociais. A determinação atinge contas associadas a Nikolas Ferreira, Pablo Marçal, Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, candidato a vice na chapa do senador.

Exigência de detalhes técnicos Assinada pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cuevas, do Tribunal Superior Eleitoral, a ordem judicial exige que a companhia detalhe a origem das visualizações e a proporção de seguidores em comparação com contas que não seguem os políticos. A demanda surgiu a partir de uma ação movida pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Os dados deverão ser acompanhados de explicação objetiva das métricas de distribuição do alcance utilizadas, com identificação da origem das visualizações, da proporção proveniente de seguidores e não seguidores e das principais superfícies de distribuição, esclarecendo-se, na medida tecnicamente possível, a distinção entre visualizações, contas efetivamente alcançadas e reproduções repetidas, bem como eventuais limitações das informações fornecidas“, diz o texto.

Multa pesada por descumprimento Caso a empresa descumpra o prazo estipulado, poderá arcar com o pagamento de uma multa fixada em R$ 100 mil por cada hora de atraso, montante que pode atingir R$ 2,4 milhões acumulados ao longo de um dia.

Filtros e algoritmos de recomendação Para fundamentar a decisão, o magistrado mencionou dados relacionados a Nikolas Ferreira e apontou que o desempenho das postagens do deputado federal no Instagram necessita de esclarecimento técnico. A decisão aponta que o perfil esteve sob um filtro que impedia a recomendação do candidato, período em que os seguidores concentravam a maior parte das impressões. Após a remoção do filtro, a proporção de visualizações vindas de não seguidores cresceu, evidenciando o impacto dos algoritmos.

Defesa da plataforma Em nota oficial divulgada nesta quinta-feira, a gigante da tecnologia argumentou que “é o engajamento, e não o número de seguidores, que impulsiona o alcance e o desempenho de um conteúdo“. A empresa reforçou que vídeos que acumulam interações rapidamente ganham maior destaque na plataforma.

“Uma conta com um número relativamente pequeno de seguidores pode alcançar mais pessoas se uma parcela maior de seu público estiver ativa e visualizar, interagir, republicar ou compartilhar seu conteúdo“, diz a empresa, acrescentando que isso não representaria “qualquer tratamento preferencial“.

Contexto das postagens A cobrança ocorreu após publicações de grande repercussão, a exemplo de um vídeo do parlamentar mineiro que superou marcas de atletas consagrados no Instagram, mesmo com o deputado possuindo uma base de seguidores consideravelmente menor. Anteriormente, a empresa já havia negado a existência de favorecimento a candidatos e reiterado que segue diretrizes padronizadas.