22/10/2026

1000x250
previous arrow
next arrow

Estudar demais para o enem pode atrapalhar? veja cuidados na reta final

A proximidade do Exame Nacional do Ensino Médio, marcado para os dias 8 e 15 de novembro, costuma elevar o nível de estresse dos candidatos. A exigência intelectual e crítica da prova faz com que muitos alunos adotem rotinas exaustivas na tentativa de compensar o tempo perdido ao longo do ano, abrindo mão de horas preciosas de sono e colocando o bem-estar em risco.

Riscos da exaustão mental De acordo com Gabrieli Ribeiro, coordenadora psicossocial do Elite Rede de Ensino, à CNN Brasil, o excesso de estudos nas semanas que antecedem o Enem pode surtir um efeito contrário ao esperado: na tentativa de aprender mais, o estudante começa a comprometer as condições mentais que permitem o aprendizado.

“Quando o descanso é substituído por mais horas de estudo, o sono fica prejudicado e a rotina perde espaço para a cobrança, podendo surgir dificuldade de concentração, falhas na memória, irritabilidade, ansiedade e a sensação de que nunca se sabe o suficiente”, explica.

O desgaste emocional faz com que o candidato passe a enxergar o descanso como improdutivo. No entanto, o sono atua diretamente na consolidação das informações absorvidas. “Na reta final, estudar melhor é mais importante do que simplesmente estudar mais. O descanso não é uma recompensa para quem terminou tudo, porque nessa fase sempre haverá algo a revisar, mas é parte da própria preparação”, afirma Ribeiro.

Estratégias para otimizar a rotina Para fugir do desespero e conter a ansiedade, a recomendação é realizar trocas inteligentes em vez de tentar absorver todo o conteúdo pendente. Entre as principais recomendações estão priorizar os temas mais recorrentes, revisar o que já foi visto, resolver questões, analisar os próprios erros e preservar a energia mental.

“Existe uma diferença importante entre intensificar o estudo e entrar em desespero para recuperar o tempo. A reta final não é o momento de tentar reconstruir toda a preparação, mas de transformar o conhecimento disponível em desempenho. O estudante não precisa chegar à prova sabendo tudo; precisa chegar em condições de acessar, com clareza, aquilo que sabe”, sugere a profissional.

A importância do lazer e da saúde emocional Abrir mão de momentos de descontração traz prejuízos severos à saúde mental. É fundamental reservar tempo para conversas, atividades físicas, hobbies ou pausas livres de culpa.

“Uma preparação eficiente não é aquela que ocupa cada minuto do dia, mas aquela que permite chegar à prova com conhecimento, energia e estabilidade emocional. Afinal, o estudante não precisa suspender a própria vida para se preparar para uma prova que faz parte dela”, explica a psicóloga.

O papel da família e o controle da autossabotagem Para combater pensamentos autossabotadores, o candidato deve focar no que está sob seu controle no presente, recorrendo a exercícios de respiração quando a insegurança surgir. O apoio familiar também faz toda a diferença nessa etapa decisiva.

“A família pode contribuir de forma muito significativa ao demonstrar interesse pelo bem-estar do jovem, respeitar seus momentos de descanso, reconhecer sua dedicação e transmitir confiança sem minimizar seus medos”, declara Ribeiro.

Ela segue: “O estudante precisa sentir que sua família torce pelo seu resultado, mas que seu valor não depende dele. Quando existe essa segurança, o Enem deixa de ocupar o lugar de uma ameaça à própria identidade e passa a ser compreendido como uma etapa importante da vida, mas não como uma definição de todo o seu futuro”.

Como proceder com o cronograma Segundo Ademar Celedônio, diretor de ensino e inovação da Arco Educação, quem conseguiu seguir o planejamento de estudos deve focar em pausas, relaxamento e revisões pontuais. Já para os alunos que ainda precisam avançar na matéria, o foco deve ser em simulados e na análise de provas anteriores.

“O acúmulo de cansaço e nervosismo pode, de fato, implicar em mais erros. Para isso, vale muito o treinamento”, comemora.