22/10/2026

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Tempestades de calor gigantescas cobrem 85% do planeta e matam

As ondas de calor que costumavam ser eventos isolados e esporádicos transformaram-se, ao longo de seis décadas e meia, em fenômenos climáticos massivos e interligados conhecidos como tempestades de calor. Enquanto na década de 1960 a maior onda de calor cobria cerca de 6% do globo por 46 dias, o maior evento recente alcançou quase 85% da Terra ao longo de 367 dias contínuos, afetando praticamente todos os habitantes do planeta.

O surgimento do conceito de tempestade de calor Para classificar essa nova realidade, especialistas analisaram dados meteorológicos horários desde 1960 em mais de um milhão de células globais. O critério estabelece que ondas de calor que cubram pelo menos 1% da superfície terrestre — uma área equivalente a metade do Canadá — sejam tratadas como tempestades de calor. Com essa metodologia, a média anual saltou de cerca de cinco eventos na década de 1960 para aproximadamente 102 na década atual.

Esses eventos extremos provocam impactos severos em várias regiões do globo, deformando trilhos de trem na Europa, elevando temperaturas a patamares recordes e gerando crises humanitárias e ambientais severas. Na Ásia, condições extremas causaram desmaios e sangramentos nasais em estudantes devido ao calor intenso. Já na América do Norte, as altas temperaturas alimentaram secas históricas e incêndios florestais devastadores, enquanto no Norte da África e no Oriente Médio tempestades de calor intensificaram ciclones com rupturas de barragens e mortes em peregrinações religiosas.

Efeitos sistêmicos e repercussões globais Especialistas apontam que esses eventos geram uma grande ruptura na civilização global, sendo o calor o maior responsável pelas mortes associadas às mudanças climáticas. Além de agravarem secas e alimentarem incêndios de grandes proporções em locais como Chile e Europa, as temperaturas extremas também afetam a saúde gestacional, aumentando riscos como a pré-eclâmpsia. Em contrapartida, regiões de altas latitudes, como a Sibéria, viram sua produção agrícola se expandir com o aquecimento.

A análise histórica demonstra que o avanço das emissões de gases de efeito estufa multiplicou a área coberta por esses fenômenos por mais de 12 vezes. Simultaneamente, as ondas de frio encolheram drasticamente. Atualmente, as tempestades de calor representam cerca de 43% dos dias excepcionalmente quentes na Terra, impulsionadas pelo aumento contínuo do dióxido de carbono na atmosfera e pela atuação do fenômeno El Niño.