22/10/2026

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Quebra de sigilos mobiliza Lula e Flávio antes do 2º turno

O embate em torno da divulgação de dados sigilosos transformou-se no principal foco de atrito entre os comitês de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da disputa presidencial. Restando apenas três dias para a votação do segundo turno, a coordenação da campanha do petista marcou presença no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para formalizar sua resposta à contraproposta imposta pelo parlamentar.

As contrapartidas e a petição levada à Corte Eleitoral

O confronto direto teve início no debate promovido pela TV Bandeirantes, no domingo (18). Em seguida, na terça-feira (20), Lula oficializou no Supremo Tribunal Federal (STF) e no TSE a disposição de abrir o sigilo fiscal, telefônico e bancário próprio e de parentes pelo intervalo dos últimos oito anos, condicionando a medida a um gesto correspondente do adversário.

A reação do senador veio por meio de representação encaminhada ao ministro André Mendonça. No documento, Flávio classificou a proposta inicial como “gaveta vazia”, argumentando que os bens do oponente estariam sob titularidade de terceiros. Disposto a ampliar o escopo, o congressista autorizou o acesso às suas próprias movimentações financeiras, fiscais e de telecomunicações dos últimos 20 anos, além de registros de firmas sob sua gestão e de conversas mantidas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Em troca da liberação irrestrita, o parlamentar anexou um rol de exigências direcionadas à administração federal e a pessoas próximas ao presidente:

  • Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola): quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático dos últimos oito anos do ex-chefe de gabinete, sob o argumento de que ele recebia ligações para o petista e teria recebido repasse de R$ 249 mil de Roberta Luchsinger;
  • Janja e rotina do Alvorada: acesso aos registros de compromissos da primeira-dama anteriores a fevereiro de 2025, entradas dos filhos do presidente no Palácio da Alvorada, relatórios de despesas do local e utilização de helicópteros;
  • Cartões corporativos: detalhamento integral das despesas da Presidência da República efetuadas a partir de janeiro de 2023;
  • Relações com Daniel Vorcaro: documentação da reunião de 4 de dezembro de 2024 entre Lula e o banqueiro — sem ata gerada, segundo o Executivo —, somada a todos os registros de entrada dele e de intermediadores nas sedes do governo desde 2023;
  • Roberta Luchsinger: registros de presença em palácios, voos em aeronaves da FAB, reuniões ministeriais e quebra de sigilo da lobista e de seus empreendimentos;
  • Familiares de Lula: dados empresariais de Fábio Luís (Lulinha) e dos outros filhos, incluindo empresa offshore sediada na Espanha;
  • Frei Chico: informações financeiras, fiscais e telefônicas do irmão do mandatário e do Sindnapi.

Flávio ainda demandou que a Justiça Eleitoral notifique o adversário a cumprir os pontos citados, pontuando que eventual recusa deve constar oficialmente nos registros do processo.

Campanha petista formaliza entrega no tribunal

Diante das cobranças, o senador Camilo Santana (PT-CE), integrante da cúpula da campanha de Lula, pontuou que o presidente concordará com todas as exigências, “contanto” que o rival também execute sua parcela no compromisso.

A equipe jurídica petista estabeleceu o prazo das 11h desta quinta-feira (22) para protocolar o aceite formal no TSE. Em nota oficial, o comitê afirmou que iria “aguardar” que o senador e seus representantes se apresentem igualmente para disponibilizar todos os dados pessoais e corporativos solicitados.

Troca de farpas entre os concorrentes

Após a sinalização do PT, Flávio declarou publicamente que via “com entusiasmo” a promessa de abertura da “caixa-preta do Planalto”, manifestando receio de que o recuo não passe de “apenas mais uma promessa não cumprida”. Até o momento da manifestação, o congressista do PL não havia confirmado se enviará advogados ao TSE no mesmo horário marcado pela chapa adversária para formalizar a entrega dos seus próprios dados.