22/10/2026

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Flávio e Lula miram debate decisivo e travam duelo de sigilos

Na reta final da disputa presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) reservaram esta quinta-feira (21) exclusivamente para reuniões internas com suas equipes em Brasília. Os dois adversários buscam calibrar discursos, planejar a mobilização digital e afinar o desempenho para o último debate televisivo na TV Globo, agendado para sexta-feira (23), no Rio de Janeiro.

Flávio foca em alinhamento político e transmissão semanal

Sem compromissos de rua agendados para o dia, Flávio Bolsonaro recebe orientações de estrategistas de comunicação e correligionários de peso em Brasília, incluindo o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A única aparição prevista do candidato nesta quinta-feira é a tradicional transmissão ao vivo que comanda semanalmente em seu canal no YouTube, às 19h.

A previsão é de que o senador também não realize atos públicos na sexta-feira, dedicando o período no Rio de Janeiro à preparação para o embate frente a frente com o atual mandatário. As atividades de campanha de rua em São Paulo e no Nordeste foram concluídas na quarta-feira (20), restando apenas visitas programadas a Belo Horizonte e à capital fluminense até o próximo sábado (24).

Cuidados com a voz e recolhimento de Lula

No Palácio da Alvorada, o presidente Lula também se mantém afastado de eventos externos. A prioridade da coordenação petista é poupar o chefe do Executivo, que apresentou rouquidão visível durante agendas recentes em Minas Gerais e no Palácio do Planalto. Para assegurar que o candidato esteja em plenas condições para o debate, compromissos que incluíam entrevistas e gravações de propaganda eleitoral foram suspensos, enquanto uma fonoaudióloga monitora seu quadro de saúde.

Disputa jurídica e política sobre quebra de sigilos

Paralelamente aos preparativos para o debate, os comitês travam um intenso embate formal no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A controvérsia teve início no primeiro confronto direto do segundo turno, quando o petista propôs que ambos abrissem mão do segredo de suas contas bancárias, fiscais e telefônicas dos últimos oito anos.

Ao contestar o gesto no tribunal, Flávio classificou a proposta de “gaveta vazia”, sustentando que o patrimônio de seu oponente não estaria formalmente em seu nome. O senador do PL contra-atacou oferecendo a abertura de seus dados dos últimos 20 anos, além de registros de empresas e diálogos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em troca, apresentou uma petição com uma série de condições adicionais direcionadas ao Planalto.

Exigências apresentadas ao TSE

A lista de exigências formulada por Flávio inclui o acesso a:

• Dados bancários, fiscais, telefônicos e telemáticos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência;
• Gastos integrais do cartão corporativo do governo federal desde janeiro de 2023;
• Compromissos oficiais da primeira-dama Janja anteriores a fevereiro de 2025, além de despesas do Alvorada e transporte de familiares;
• Registros de audiências, acessos a prédios oficiais e voos da Força Aérea Brasileira vinculados a Vorcaro e à lobista Roberta Luchsinger;
• Informações sobre atividades empresariais dos filhos de Lula e contas ligadas a seu irmão, Frei Chico.

A coordenação do PT sinalizou disposição para concordar com o pacote de medidas. De acordo com o porta-voz da campanha, o senador Camilo Santana (PT-CE), Lula autorizará os termos “contanto” que o adversário cumpra simultaneamente a palavra. A equipe jurídica governista marcou presença na corte eleitoral para formalizar a concordância e “aguardar” a apresentação dos dados por parte da coligação rival antes do encerramento do processo eleitoral.

Em resposta à movimentação, Flávio declarou em comunicado ver “com entusiasmo” a possibilidade de o Planalto revelar suas informações, pontuando a expectativa de que o recuo da equipe adversária não se transforme em “apenas mais uma promessa não cumprida”.