21/10/2026

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Aqueduto bicentenário em SC passa por restauração de R$ 469 mil

A Prefeitura de Biguaçu deu início às obras de restauração do Aqueduto da Vila de São Miguel, localizado na Grande Florianópolis. Com um orçamento de R$ 469 mil, o projeto tem como principal objetivo fazer com que a água volte a correr sobre a estrutura secular, resgatando uma das funções originais do monumento que é protegido pelo Iphan desde 1969.

Detalhes do projeto de revitalização

De acordo com o prefeito Alexandre Martins de Souza, o plano de intervenção contempla melhorias voltadas à acessibilidade, implantação de sinalização interpretativa e um novo sistema de iluminação cênica. Todas as alterações seguem rigorosamente as diretrizes estabelecidas para a preservação de bens tombados.

O financiamento da obra é fruto da união entre verbas do tesouro municipal e repasses de duas emendas parlamentares. Os recursos foram direcionados pela senadora Ivete Appel da Silveira, com o apoio do suplente de vereador Davi, e pela deputada federal Daniela Reinehr, cuja articulação contou com a participação da ex-vereadora Salete Cardoso.

Origem das intervenções e histórico

O início dos trabalhos foi motivado por uma ordem expedida pela Justiça Federal em março, exigindo que a administração municipal implementasse ações efetivas de conservação no local. Na época, o Ministério Público Federal alertou que o patrimônio histórico havia sofrido colisões de veículos de grande porte em repetidas ocasiões.

Além disso, laudos técnicos apontaram falhas estruturais graves, como danos antigos que mascaravam problemas com simples pinturas corretivas, além de pontos recentes de desgaste e ferragens expostas.

Passado histórico e importância da Vila de São Miguel

Erguido no século XIX por trabalho escravizado, o monumento em arcos de pedra estendia-se até a faixa de areia. A sua finalidade principal era conduzir a água captada na represa da Cachoeira de São Miguel para a antiga praia do povoado, suprindo as necessidades dos habitantes, movimentando engenhos locais e fornecendo abastecimento para as embarcações que paravam na Baía de Anhatomirim a caminho do sul do país.

A construção faz parte do complexo arquitetônico da Vila de São Miguel, fundada em 1750. A localidade já exerceu papel central na geopolítica regional: em 1777, em decorrência da invasão espanhola à Ilha de Santa Catarina, as autoridades lusas abandonaram a região do antigo Desterro e a vila assumiu temporariamente o posto de capital da província.

Com o crescimento urbano e o passar dos anos, grande parte do patrimônio acabou se perdendo. Durante a abertura da BR-101 nos anos 1960, trechos expressivos da edificação foram demolidos para dar passagem à rodovia, restando apenas quatro dos arcos originais à margem da estrada.