PL racha sobre Davi Alcolumbre e federação de Lira vira fiel da balança na disputa pelo Senado
Dono da maior bancada do Senado a partir de fevereiro, o PL já avisou que não apoiará a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) e escalou Rogério Marinho (RN) para disputar o comando da Casa. A unidade, porém, para no discurso da cúpula. Parte da bancada mantém laços com o atual presidente, e é justamente nessa divisão que Alcolumbre aposta para chegar aos 41 votos.
A conta não é simples para nenhum dos lados. O PL tem tamanho para liderar, mas não para vencer sozinho. Alcolumbre tem aliados de peso, mas viu a federação do próprio partido começar a se afastar.
Quantos votos Alcolumbre precisa para se reeleger
São necessários 41 dos 81 votos. A votação é secreta e está prevista para fevereiro de 2027, quando os eleitos tomam posse. Por ser secreta, a orientação partidária não garante o voto de ninguém, um detalhe que pesa a favor de quem domina a máquina e conhece cada colega pelo nome.
Interlocutores de Alcolumbre calculam que ele reúne hoje entre 44 e 49 votos. O número é dos aliados e ainda não foi testado.
Com 19 eleitos em outubro, o PL chegará a 28 cadeiras, a maior bancada partidária no início de uma legislatura desde 1988. O recado oficial veio em 5 de outubro: Valdemar Costa Neto disse que o partido não apoiará Alcolumbre, a quem acusa de alinhamento com o governo Lula.
A ala bolsonarista eleita, com nomes como Bia Kicis (DF), pressiona por chapa puro-sangue. Do outro lado está o vice-presidente do Senado, Eduardo Gomes (PL-TO), que integra o grupo político de Alcolumbre e é peça central na estratégia do atual presidente de rachar o adversário por dentro.
O argumento usado nos bastidores é direto: se Flávio Bolsonaro vencer a Presidência, um Senado também comandado pelo PL reduziria o poder de barganha dos próprios senadores nas negociações com o Planalto.
O discurso mira principalmente quem não tem acesso ao núcleo de Flávio. Alcolumbre também tem conversado com eleitos sobre gabinetes, apartamentos funcionais e cargos ligados à Presidência.
MDB e PSD já fecharam com Alcolumbre
MDB e PSD já declararam apoio à reeleição. Juntos, somam 13 senadores na projeção para 2027. É a base mais sólida do atual presidente, mas, sozinha, não chega nem a um terço do que ele precisa.
O movimento que mais preocupa o entorno de Alcolumbre vem de casa. Em breve, a federação PP-União Brasil deve retirar o apoio à recondução do presidente, que se aproximou de Lula enquanto os dirigentes das duas siglas apoiam Flávio.
É aqui que entra Arthur Lira (PP-AL). Eleito senador com a maior votação de Alagoas, o ex-presidente da Câmara disse ao ND Mais que disputar o cargo é “pura especulação”, mas evitou dizer se apoiará Alcolumbre. Aliados afirmam que ele vai operar ativamente na sucessão. Tereza Cristina (PP-MS) também aparece nas conversas como nome possível.
Republicanos e PT entram na conta
O Republicanos, com cinco senadores, ainda não anunciou posição oficial e deve negociar espaço na Mesa Diretora e nas comissões. O PT, com nove, é peça-chave para Alcolumbre, que vem pautando temas caros ao governo e, em troca, busca ajuda para a reeleição.
Numa simulação com base nas bancadas projetadas, MDB, PSD, PT e os partidos menores de centro-esquerda (PSB, PDT e Rede) somam 28 votos. Mesmo com Republicanos, PSDB e Podemos, Alcolumbre ficaria abaixo de 41. Sem a federação PP-União, ele precisa de votos dentro do PL.
Para Marinho, o caminho é inverso. Com os 28 do PL e os 3 do Novo, ele precisaria de pelo menos 10 votos de fora. Se a federação PP-União fechar com o PL, a conta fecha. Por isso Lira, hoje em silêncio, pode valer mais do que qualquer declaração pública.
Alcolumbre enfraquecido no Amapá
O desgaste também é eleitoral. No Amapá, os candidatos apoiados por Alcolumbre perderam o governo e a vaga ao Senado, o que reduziu seu capital político e alimentou a pressão do PL. Entre adversários, já circula a ideia de uma saída honrosa, com uma vaga no TCU, caso ele não consiga se manter no cargo.
O próprio Alcolumbre, porém, gosta de lembrar aos aliados de 2023, quando seu grupo derrotou Marinho por 49 votos a 32 com Rodrigo Pacheco e deixou o PL dois anos fora da Mesa e do comando de comissões.



