21/10/2026

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El niño muda cor do Pacífico e provoca alta de até 40 cm no mar

O fenômeno El Niño de 2026 está provocando transformações visíveis no Oceano Pacífico, alterando a coloração das águas e elevando o nível do mar em até 40 centímetros em pontos específicos. Os registros foram obtidos por satélites da NASA (Agência Espacial dos Estados Unidos), que monitoram de perto os impactos na circulação oceânica, na temperatura global e nos ecossistemas marinhos.

Mudança na cor e impacto no fitoplâncton

Divulgadas na última quinta-feira (15), as imagens mostram que trechos do Pacífico equatorial adquiriram um tom mais azulado, enquanto faixas antes esverdeadas perderam essa pigmentação. O fenômeno ocorre devido à diminuição do fitoplâncton, conjunto de micro-organismos que formam a base da cadeia alimentar nos oceanos e ditam a tonalidade da superfície da água.

Durante o evento climático, o aquecimento das águas e o enfraquecimento dos ventos alísios impedem que correntes profundas, frias e ricas em nutrientes cheguem à superfície. Com a escassez de nutrientes, a população de fitoplâncton diminui, o que altera a cor da água e ameaça espécies marinhas dependentes desses organismos. As variações foram captadas pelo satélite PACE, lançado em 2024.

Variações extremas no nível da água

Além da alteração visual, o aquecimento oceânico gerou desníveis expressivos na altura da superfície. Os equipamentos do satélite Sentinel-6 registraram elevações localizadas de 30 a 40 centímetros acima da média. O processo começou em janeiro de 2026 com uma massa de água quente na Micronésia, impulsionada por uma onda de Kelvin que transporta calor em direção à América do Sul.

No início de abril, essa movimentação alcançou a costa sul-americana e avançou até a Califórnia. Em contrapartida, áreas próximas à Indonésia e ao norte da Austrália registraram níveis de 15 a 20 centímetros abaixo do normal.

Aquecimento recorde e previsões

As medições indicam que o Pacífico oriental está com temperaturas 1,7°C acima da média histórica. De acordo com a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), existe uma probabilidade de 83% de que este seja o El Niño mais intenso desde o início das medições em 1950.

Embora o recorde ainda não esteja confirmado, o monitoramento contínuo ajuda a entender os reflexos globais do aquecimento. No Brasil, episódios desse porte costumam provocar chuvas intensas na região Sul e períodos de seca no Norte e no Nordeste, embora os impactos variem conforme as condições atmosféricas gerais.