França decreta toque de recolher e inicia julgamentos após protestos violentos
O governo da França decretou uma segunda noite de toque de recolher nesta terça-feira (20) em várias cidades afetadas pela recente onda de violência e manifestações. Enquanto as forças de segurança buscam restabelecer a ordem pública, o sistema de Justiça começou a processar os indivíduos detidos durante os protestos do último final de semana.
Reações e medidas governamentais
As autoridades buscam retomar o controle da situação e responder às críticas sobre falhas na segurança que deixaram áreas de Paris, Marselha, Lyon, Bordeaux, Lille e Nice vulneráveis a confrontos, incêndios e saques. Os episódios de sábado (17) estão entre os mais graves registrados no país nos últimos anos, resultando em prédios públicos incendiados e estabelecimentos comerciais saqueados, o que levou países como Estados Unidos, China e Alemanha a emitirem alertas aos seus cidadãos.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou, em publicação na rede social X, que os toques de recolher poderão ser ampliados “onde a situação exigir”, destacando que as medidas contribuíram para uma madrugada mais tranquila. Em Paris, a noite foi marcada por forte presença policial e sobrevoo de helicópteros. Apesar das restrições, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, garantiu que o toque de recolher não afetaria a partida da Liga dos Campeões entre Paris Saint-Germain e Barcelona.
Origem da crise e panorama político
As manifestações começaram inicialmente com mobilizações de estudantes do ensino médio contra a qualidade do ensino e a deterioração das escolas. Com o tempo, as pautas se expandiram para refletir a insatisfação popular com a alta dos preços e a piora dos serviços públicos. A crise aprofundou a instabilidade política a cerca de seis meses da eleição presidencial que definirá o sucessor de Emmanuel Macron, impedido de concorrer a um terceiro mandato consecutivo.
Julgamentos e investigações em andamento
A Justiça francesa já começou a processar os detidos. Do total de mais de 2.500 pessoas presas, 123 permanecem sob custódia aguardando julgamento ou cumprindo penas iniciais, conforme informou o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, à rádio Europe 1. Entre os primeiros condenados está um jovem de 21 anos que foi sentenciado a dois meses de prisão após a polícia encontrar materiais que poderiam ser usados em coquetéis Molotov em sua bolsa.
Para identificar os demais envolvidos, a polícia tem utilizado vídeos publicados em redes sociais e imagens de câmeras de segurança. O primeiro-ministro Lecornu ironizou os suspeitos que participaram de saques sem cobrir o rosto, chamando-os de “gênios”.
Novos atos previstos e cenário futuro
Apesar das medidas restritivas e da trégua momentânea, a convocação de novos atos mantém o alerta nas autoridades. A Unef, principal sindicato estudantil francês, planeja manter a pressão sobre o governo, enquanto o movimento Coletes Amarelos convocou manifestações para o próximo sábado contra a alta no preço dos combustíveis. O governo tenta agora evitar que a insatisfação social desencadeie uma nova escalada de violência no país.



