Polícia conclui inquérito contra vereador investigado por rachadinha em SC
A Polícia Civil de Santa Catarina encerrou o inquérito que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e rachadinha envolvendo o vereador Almir Vieira (PP), em Blumenau. O material detalhando a apuração foi encaminhado para análise do Ministério Público e do Poder Judiciário.
Detalhes da conclusão da investigação De acordo com o delegado Marafiga Costa, parte dos investigados foi indiciada, mas os nomes e os crimes atribuídos a cada um não foram divulgados. Os alvos não receberam os mesmos indiciamentos, já que diferentes fatos foram examinados dentro do mesmo procedimento investigativo.
Agora, cabe ao Ministério Público avaliar as evidências reunidas para decidir se oferece denúncia formal contra os investigados ou se solicita novas diligências com o objetivo de aprofundar a apuração sobre o caso.
Operação policial e afastamento do cargo O parlamentar foi um dos alvos de uma operação deflagrada em 3 de fevereiro de 2026, que incluiu o cumprimento de mandados de busca e apreensão, inclusive no gabinete dele na Câmara de Vereadores de Blumenau. Almir Vieira chegou a ser preso em flagrante durante a ação, mas foi solto horas depois.
As suspeitas centram-se em crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e na prática conhecida como rachadinha, que envolve a suposta devolução de parte dos vencimentos de assessores para um agente político. O parlamentar permaneceu afastado das funções legislativas por 180 dias, período em que continuou recebendo salário conforme registros do Portal da Transparência, e retornou ao plenário em 18 de agosto.
Ao reassumir a cadeira, o político criticou a cobertura da imprensa sobre o caso e fez declarações na tribuna da Casa.
“Quem conhece Almir Vieira sabe da sua integridade. São questões que quem conhece a minha índole, o meu caráter e a minha pessoa sabe do que eu estou falando”, declarou na tribuna.
Processo de cassação e próximos passos Paralelamente à investigação na esfera criminal, o vereador também enfrenta um processo de cassação de mandato na Câmara de Blumenau. A abertura do procedimento foi aprovada por 10 votos favoráveis em 24 de fevereiro de 2026.
No entanto, o andamento foi interrompido por uma decisão judicial após a defesa questionar a legitimidade da denúncia inicial. Os advogados apontaram que a representação partiu de uma pessoa física, e não de um partido político com representação na Casa ou de outro vereador. O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) acolheu a preliminar e suspendeu os trabalhos da comissão processante, enquanto a defesa sustenta que a acusação possui motivação política.
Com o encerramento do inquérito policial, o desdobramento do caso agora depende exclusivamente do posicionamento do Ministério Público. Vale destacar que o indiciamento não configura condenação, mantendo-se o princípio da presunção de inocência dos investigados até eventual decisão definitiva da Justiça.



