Pf investiga ex-servidor do stj por vazamento a aliado de flávio bolsonaro
A Polícia Federal realizou nesta segunda-feira (19) mandados de busca e apreensão contra Humberto Pradera, ex-secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do Superior Tribunal de Justiça. O alvo é investigado por suposta quebra de sigilo funcional após ser apontado como facilitador no repasse de minutas de julgamentos ao advogado Willer Tomaz, que mantém proximidade com o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Exoneração e procedimento interno O desligamento de Pradera do cargo técnico ocorreu na última sexta-feira (16), após determinação do presidente da Corte, Luis Felipe Salomão, que instaurou um procedimento investigativo interno para esclarecer os fatos.
Procurado pelo UOL, o STJ informou que o presidente da Corte, Luis Felipe Salomão, abriu um procedimento interno para apurar o caso na semana passada e exonerou Pradera. “As medidas criminais estão em andamento e são sigilosas, e sobre elas o Tribunal não vai se manifestar”, afirmou em nota.
Esquema de vazamentos antecipados De acordo com os investigadores, o escritório de Tomaz recebia documentos confidenciais, incluindo pareceres do Ministério Público Federal e decisões judiciais, antes da publicação oficial. A ordem para a operação foi emitida pelo Supremo Tribunal Federal, abrangendo apurações sobre peculato eletrônico, violação de sigilo, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
Defesa nega irregularidades Questionada sobre as acusações, a defesa do advogado rechaçou veementemente o envolvimento em qualquer tipo de fraude ou acesso ilegal a dados da justiça.
Tomaz, por sua vez, negou “categoricamente ter obtido acesso irregular ou não autorizado a decisões judiciais ou pareceres sigilosos, assim como ter interferido ou ajustado o conteúdo de manifestações do Ministério Público Federal”.
“Sua atuação profissional sempre observou a legislação e as prerrogativas profissionais da advocacia, pelos meios institucionais e processuais legítimos. As insinuações divulgadas são infundadas, distorcem o exercício regular da atividade profissional e configuram desinformação”, completou ao UOL.
Conexões e próximos passos Os federais identificaram sete situações em que o advogado teve acesso prévio a documentos sigilosos, envolvendo disputas milionárias e ações de figuras públicas. O material coletado agora segue para análise do Ministério Público Federal, que definirá os rumos das apurações, avaliando inclusive se o caso deve ser remetido à primeira instância após a aposentadoria de um dos procuradores citados.



