Tsunami que destruiu Lisboa em 1755 provocou inundação em Pernambuco
Um evento extremo ocorrido há 271 anos em solo europeu deixou marcas profundas no litoral brasileiro. No dia 1º de novembro de 1755, um gigantesco tremor de terra na península ibérica gerou ondas colossais que atravessaram o oceano Atlântico, atingindo a costa do estado de Pernambuco com força impressionante.
Evidências históricas e geológicas do fenômeno Para reconstituir o trajeto do evento, cientistas cruzaram dados de registros históricos, análises de sedimentos e simulações computacionais. O trabalho investigativo permitiu mapear o impacto exato do desastre natural nas praias brasileiras, comprovando a força da propagação oceânica.
No município de Tamandaré, a estimativa apontou a formação de ondas de 1,9 metro de altura. O volume de água foi tão intenso que provocou uma inundação de quase quatro quilômetros terra adentro, alterando a paisagem local na época.
O terremoto em Lisboa e a destruição na Europa A origem de toda essa movimentação foi o devastador sismo que atingiu a capital portuguesa, com magnitude estimada entre oito e nove na escala Richter. A catástrofe destruiu grande parte da cidade europeia e deu início a uma série de ondas gigantescas que se espalharam pelo oceano.
O perigo invisível das ondas gigantes Investigações no solo pernambucano revelaram camadas de areia marinha perfeitamente compatíveis com um evento de inundação de alta energia, popularmente chamado de enxurrada.
Os especialistas ressaltam que o risco associado a esse tipo de evento não se resume à altura visível da maré. Enquanto as ondas comuns de praia quebram em poucos segundos, um tsunami mantém um fluxo contínuo e prolongado cujos intervalos podem durar minutos. Dessa forma, mesmo com menor altura aparente, a pressão constante e o avanço contínuo da água representam um perigo catastrófico para as regiões costeiras.



