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Santa Catarina

Tjsc abriga relíquia de Santa Catarina com aval do Monte Sinai

Capela ecumênica em Florianópolis guarda fragmento sagrado após negociações complexas envolvendo autoridades e líderes ortodoxos.

TJSC é a única instituição pública do mundo com relíquia de Santa Catarina

A Capela Ecumênica situada no jardim do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), na capital catarinense, destaca-se como a única instituição pública em todo o planeta a custodiar uma autêntica relíquia de Santa Catarina de Alexandria, amparada por rigorosa documentação eclesiástica.

Negociações internacionais e o papel do Monte Sinai A chancela para essa transferência excepcional veio diretamente dos monges do Mosteiro de Santa Catarina, localizado no Monte Sinai, no Egito, responsáveis por guardar os restos mortais da mártir há mais de oito séculos. A liberação atendeu a exigências severas estipuladas pela Igreja Ortodoxa Grega após tratativas complexas que envolveram o governo estadual e lideranças religiosas.

Histórico das relíquias mundiais Historicamente, os principais registros da padroeira estão divididos entre o Mosteiro do Sinai, a Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau e a Capela do Judiciário catarinense. Existe ainda uma terceira referência na Itália, na Igreja de Santa Catarina de Alexandria em Bonassola, que exibe apenas um busto relicário e vestes litúrgicas históricas.

A articulação política e religiosa O processo de conquista começou em maio de 2000, quando o então governador Esperidião Amin recebeu uma comitiva da Igreja Ortodoxa Grega liderada pelo arcebispo Gennadios. A missão diplomática e religiosa contou com viagens ao Egito e à Turquia, superando avisos severos dos religiosos locais. “O senhor vai ter que enfrentar 25 monges”, alertaram as autoridades na época das tratativas iniciais.

Inauguração da Capela Ecumênica Com a chegada do sarcófago de mármore a Florianópolis em outubro de 2000, liderada pelo monsenhor Angelos Kontaxis, decidiu-se pela construção de um espaço dedicado à veneração. A inauguração oficial ocorreu em 23 de novembro de 2001, sob a gestão do desembargador Francisco Xavier Medeiros Vieira, consolidando a união entre o poder público e a tradição sacra.

Arquitetura e simbolismo da capela Projetado pelo arquiteto Aldo Luiz Eickhoff, o templo possui 43 m² e formas que remetem a mãos unidas em oração ou aos cinco continentes em harmonia. O local abriga três altares distintos e vitrais coloridos que proporcionam iluminação propícia à meditação e ao recolhimento espiritual.

Missão de agradecimento no Egito Em maio de 2002, uma comitiva liderada por Esperidião Amin realizou uma viagem ao Mosteiro do Sinai para agradecer aos monges. Na ocasião, o arcebispo Damianos abriu a biblioteca restrita do local aos visitantes catarinenses, um privilégio raramente concedido a autoridades internacionais, reforçando os laços culturais entre o estado e a comunidade helênica.