02/11/2026

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Novo tratamento para câncer de pulmão barra avanço da doença por sete anos

Um medicamento oral para câncer de pulmão chamado Lorbrena tem a capacidade de impedir a progressão da enfermidade por um período de sete anos, conforme aponta um estudo divulgado recentemente na revista especializada “Annals of Oncology”, vinculada à Sociedade Europeia de Oncologia Médica. O tratamento consiste na ingestão diária de um comprimido.

Detalhes do ensaio clínico internacional CROWN O levantamento científico, batizado de ensaio clínico internacional “CROWN”, acompanhou 296 participantes com média etária de 59 anos, sendo 59% do sexo feminino e 41% do masculino. Do total de voluntários, 95% apresentavam adenocarcinoma e não haviam passado por terapias prévias. Os responsáveis pelo estudo classificam o desfecho como inédito para essa categoria tumoral.

Eficácia prolongada e proteção cerebral Os dados indicam que 55% dos pacientes sobreviventes não sofreram avanço da enfermidade ao longo de sete anos de acompanhamento com a substância. Além disso, a investigação demonstrou que aqueles que ultrapassaram a marca de dois anos sem evolução do quadro apresentaram uma probabilidade de 79% de manterem essa estabilidade ao atingir o tempo total de sete anos de uso contínuo.

O experimento também atestou que o fármaco evitou que a doença se espalhasse para o cérebro, registrando ausência de novos episódios cerebrais após os primeiros 30 meses de administração.

Indicações médicas e custos no país No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o produto em 2021. A indicação oficial da Anvisa abrange “o tratamento de câncer de pulmão de células não pequenas (CPNPC) avançado, positivo para quinase do linfoma anaplásico (ALK+)”. A bula contempla orientações para indivíduos com disfunções hepáticas ou renais severas e veda a associação com determinados compostos.

Atualmente, o produto pode ser adquirido no mercado nacional por cerca de R$ 40 mil, valor referente a uma embalagem com 30 comprimidos de 100 mg, dosagem utilizada pelos participantes da pesquisa.

Panorama da doença no território brasileiro Projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que o país deverá contabilizar 781 mil novos diagnósticos anuais entre 2026 e 2028. Os índices consolidam a enfermidade como uma das principais causas de morbidade e mortalidade nacional, equiparando-se estatisticamente aos problemas cardiovasculares.

Atualmente, a neoplasia pulmonar ocupa a terceira posição entre os tumores mais incidentes no público masculino e a quarta no feminino. Enquanto o câncer de pele não melanoma lidera o ranking geral de incidência em ambos os sexos — embora seja contabilizado separadamente devido à menor letalidade —, os tumores de próstata, cólon, reto e estômago completam as principais ocorrências nos homens, ao passo que mama, cólon, colo do útero e tireoide destacam-se entre as mulheres.