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Mundo

Paraguai tem novo presidente e crise bancária mobiliza governo

Pedro Alliana assumiu o comando do país vizinho com a missão de socorrer milhões de correntistas afetados pela quebra de instituição financeira.

Paraguai: Novo presidente ordena “ações imediatas” para afetados por crise

O cenário político no Paraguai passou por uma reviravolta após a destituição de Santiago Peña. O novo chefe de Estado, Pedro Alliana, assumiu o poder e ordenou que a sua gestão execute medidas urgentes para amparar a população atingida pelos problemas financeiros do Ueno Bank, banco privado que passou por intervenção recente e que abriga contas de aproximadamente 3 milhões de cidadãos paraguaios.

Primeiros passos da nova gestão

Durante seu discurso inicial perante o Congresso, logo após o juramento que oficializou sua posse, Alliana enfatizou que a administração atual precisa atuar diretamente nas ruas, hospitais e zonas rurais devido às emergências encontradas no país. “O Paraguai que recebemos hoje apresenta urgências que nos obriga a estar nas ruas, nos hospitais e no campo. O que venho prometer é concreto”, disse ele.

O mandatário também reforçou o compromisso com os correntistas prejudicados pelo revés econômico. “Os compatriotas que hoje atravessam um momento difícil, em decorrência do colapso financeiro, serão plenamente compensados. Não os deixaremos sozinhos. Determino que sejam tomadas ações imediatas para ressarcir os poupadores, dando prioridade aos menos favorecidos; não quero ninguém hesitante à frente desta missão, quero resultados”, insistiu.

Origem do colapso financeiro

A queda do governo anterior está diretamente ligada ao fechamento do Ueno Bank, pertencente ao Grupo Vázquez, que paralisou as atividades na última terça-feira (3). A medida ocorreu após o Banco Central do Paraguai determinar a liquidação da entidade bancária ao identificar um rombo na solvência, gerado por empréstimos direcionados a empresas associadas.

A instituição financeira acumulava cerca de US$ 850 milhões (aproximadamente R$ 4,6 bilhões) em depósitos, englobando também valores do Instituto de Previdência Social. O antecessor de Alliana, o economista Santiago Peña, integrou o quadro acionário do grupo controlador até março do ano passado. A situação gerou fortes críticas dos adversários políticos, que apontaram suposto conflito de interesses, manipulação de normas e proteção institucional por parte do Banco Central.

Durante o processo de impeachment, a deputada oposicionista Rocío Vallejo criticou duramente a gestão anterior. “Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, afirmou a parlamentar.

Antes de deixar o cargo e ser transferido para uma unidade especial das Forças Armadas, Peña sancionou uma legislação voltada para agilizar a devolução de recursos aos correntistas e declarou nas redes sociais que os culpados pelas falhas devem prestar contas à Justiça. “Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou ele.

Com a transição concluída, Alliana comandará o país até o encerramento do mandato original, previsto para 2028.