Papa Leão defende união regional em missa histórica no Uruguai
Pontífice reuniu dezenas de milhares de fiéis na fronteira e discursou em bairro vulnerável antes de seguir viagem para a Argentina.

O Papa Leão mobilizou cerca de 40 mil pessoas na fronteira entre o Uruguai e a Argentina. O público, que incluiu fiéis que aguardaram durante a noite sob chuva intensa, ouviu o apelo do líder católico para superarem suas divergências em uma região marcada por profundas divisões políticas.
Primeira visita papal a Paysandú
O pontífice de 71 anos percorreu aproximadamente 750 km entre Montevidéu e Paysandú, um polo econômico localizado às margens do rio Uruguai. A escolha do local pelo Vaticano teve como objetivo facilitar o acesso de peregrinos de toda a região para a primeira missa de Leão no continente.
Apesar do temporal que caiu na área, a chuva diminuiu pouco antes da chegada do papamóvel aberto. Inspirando-se na vizinha Ponte Internacional General Artigas, o papa destacou a importância da cooperação mútua.
“Não é difícil imaginar os benefícios que uma ponte traz: abertura, comunicação e intercâmbio. É por isso que é tão importante sermos construtores de pontes!”, disse ele. “Esta é a vocação para a qual todos nós somos chamados: construir pontes, fortalecer laços, unir, comunicar.”
Vigília e forte presença de público
Após o evento na fronteira, o líder religioso retornou a Montevidéu para uma vigília noturna no Estádio Centenário. O local, tradicionalmente voltado a eventos esportivos, recebeu uma multidão estimada pelo Vaticano em cerca de 100 mil pessoas.
O expressivo comparecimento chamou a atenção em um país conhecido por sua forte tradição laica. Dados de uma pesquisa do instituto Cifra indicam que apenas um terço dos adultos uruguaios se identifica como católico, enquanto 28% acreditam em Deus sem vínculo religioso.
“Sempre nos dizem que este é o país mais secular da América Latina, mas eventos como este mostram algo diferente”, disse Mathias Franco, de 18 anos. “Vejo esta visita como uma grande oportunidade para o Uruguai, para crescermos como comunidade.”
Passagem por zona vulnerável
A agenda no país também incluiu uma visita a Casavalle, bairro na periferia norte de Montevidéu afetado pela violência e pelo tráfico de drogas. O papa caminhou por ruas com moradias precárias, ouviu relatos de moradores e pediu ação contra a desigualdade.
“Não podemos ignorar as muitas pessoas ao nosso redor que estão sofrendo”, afirmou o pontífice, após abraçar uma mãe em situação de vulnerabilidade e incentivar a população a abandonar a apatia.
Pablo Coimbra, pastor de uma igreja local, comentou sobre o sentimento de abandono na região antes da chegada do líder religioso. “É uma área esquecida pelos governos e pelas instituições”, afirmou.
Próxima parada na Argentina
O giro internacional ocorre menos de um mês após o papa passar por uma cirurgia de câncer de pulmão. A viagem é tratada pelo Vaticano como um retorno ao lar, visto que o pontífice atuou como missionário no Peru por décadas.
A visita ao Uruguai termina na manhã de domingo, quando o líder católico segue para a Argentina. No país vizinho, ele deve discursar diante do presidente Javier Milei antes de dar continuidade à sua agenda internacional.


