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Brasil

Itaú consignado é multado em R$ 1,2 milhão por empréstimos não autorizados ao INSS

Aposentados e pensionistas recebiam depósitos sem pedir e descobriam dívidas com juros e descontos nos benefícios

Procon multa Itaú em R$ 1,2 milhão por empréstimos não autorizados a beneficiários do INSS; clientes recebiam dinheiro sem pedir e depois descobriam dívidas

O Banco Itaú Consignado foi penalizado administrativamente com uma multa de R$ 1.250.609,38 devido à concessão de empréstimos e cartões de crédito consignados sem o consentimento dos clientes, atingindo principalmente aposentados e pensionistas do INSS.

Investigação começou com denúncia de cliente

A 14ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Belo Horizonte conduziu o processo administrativo após uma consumidora relatar que recebeu um depósito em sua conta mas nunca pediu um empréstimo consignado.

Os fiscais analisaram a documentação fornecida pelo banco e encontraram indícios de falsificação de assinatura e falhas nos papéis. A partir disso, o órgão ampliou a apuração ao descobrir outras denúncias semelhantes sobre descontos indevidos em benefícios previdenciários e o uso irregular da margem consignável sem autorização.

Dinheiro depositado virava dívida surpresa

Entre as irregularidades detectadas está a prática do “telesaque”, modalidade que libera recursos vinculados ao cartão de crédito consignado.

Em várias situações, o banco depositava o dinheiro nas contas sem nenhum pedido prévio. Ao checar o saldo, os correntistas pensavam que podiam gastar a quantia e só percebiam a armadilha mais tarde, quando viam que o valor tratava-se de um empréstimo não solicitado repleto de juros e descontos no benefício.

O órgão de defesa do consumidor também apontou omissão de informações cruciais, como taxas de juros, custo total da dívida, prazos de pagamento e riscos inerentes à operação.

Falhas de segurança e direito de defesa

O Procon-MPMG constatou falhas graves nos sistemas de controle e segurança da instituição financeira, incluindo serviços executados por correspondentes bancários.

O órgão frisou que a empresa precisa assegurar a idoneidade dos serviços prestados e assumir a responsabilidade pelos riscos comerciais. Além disso, destacou a vulnerabilidade das pessoas idosas, que sofrem perdas na renda com descontos de transações nunca pactuadas.

Antes da punição final, a instituição recebeu ofertas para assinar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) e uma TA (Transação Administrativa), mas as negociações não avançaram para um acordo.

A sanção administrativa aplicou penalidades com base no Código de Defesa do Consumidor, na Lei nº 10.820/2003, na Resolução PGJ nº 57/2022 e nas diretrizes do INSS sobre crédito consignado, preservando o direito do Banco Itaú Consignado de recorrer da decisão.