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Brasil

Lázaro Ramos abandona papel de vilão caricato no filme “Feito Pipa”

Novo longa-metragem em cartaz nos cinemas retrata conflitos familiares, homofobia e a relação delicada entre pai e filho

Lázaro Ramos vive papel que foge do vilão em “Feito Pipa”: “Próximo de nós”

Recém-chegado às salas de cinema de todo o país, o longa-metragem “Feito Pipa” traz o ator Lázaro Ramos na pele de Batista, o pai do pequeno Gugu, interpretado por Yuri Gomes. Na história, o protagonista assume uma postura antagônica na vida da criança e de sua avó, Dilma, vivida por Teca Pereira.

Enredo e conflitos familiares

Dentro da trama, Batista adota uma postura homofóbica diante do filho, que demonstra interesse por atividades e adereços socialmente associados ao universo feminino, como roupas, saltos e maquiagens. Diante da rejeição paterna, o garoto precisa enfrentar sozinho os primeiros sinais de Alzheimer manifestados pela avó.

A construção de um personagem complexo

Embora exiba atitudes machistas e preconceituosas, o papel interpretado por Lázaro Ramos também exibe contornos singulares de afeto e cuidado. Em entrevista exclusiva à CNN Brasil, o artista detalhou que a meta principal era conceber um Batista capaz de gerar identificação imediata com a plateia.

“Quando li [o roteiro], a primeira coisa que eu queria fazer era um vilão. Dar muito grito, fazer cara fechada”, explico veterano do cinema. “Mas, quando a gente começou a ensaiar, vi que era mais útil contar esse personagem mais próximo de nós. Eu sou um ator de tintas fortes, mas faço ele em uma simplicidade. Porque eu acho que, quando a gente vê esse Batista, duro, rígido, mas que tem impossibilidade de aceitar o filho do jeito que é, a gente se vê nele.”

Reflexão sobre preconceito e empatia

O intérprete destaca que a multiplicidade de nuances em seu personagem estimula questionamentos profundos no público, o que difere de um antagonista convencional que desperta apenas rejeição imediata.

“A gente se pergunta: ‘será que em algum momento eu fiz alguma coisa parecida? Será que eu fui violento em algum momento? Será que, em algum momento, eu não aceitei a pessoa do jeito que ela era e tentei impedir isso?’”, questiona o ator.

Bastidores das cenas intensas

Apesar de fugir do esteriótipo do malvado tradicional, o filme conta com sequências de alta carga dramática entre o veterano e o jovem Yuri Gomes. Para preservar a segurança emocional do ator mirim, a dupla estabeleceu uma dinâmica específica nos bastidores das filmagens.

“A gente tinha um combinado de que estamos fazendo um filme e contando uma história, então íamos brincar de brigar um pouquinho. Quando acabasse, a gente voltaria para a vida real, lancharia juntos, sairia… Isso foi muito legal”, explica Lázaro, que ganhou a alcunha de “Tio Lázaro” do colega de elenco.

O cuidado com o elenco infantil

O artista também pontuou a importância de proteger crianças em produções dramáticas, elogiando a atuação da preparadora de elenco Luciana Vieira durante todo o processo de gravação.

“Quando você trabalha com criança, ainda mais num filme como esse, tão sensível, você corre o risco de machucar a criança. E lá não rolava isso. A Luciana fazia um trabalho lindo, que era, às vezes mostrar para o Yuri: ‘Olha só como ficou esse close’. Então, ele entendia tecnicamente e sabia que estávamos contando uma história.”

O público já pode conferir o resultado desse trabalho dramático, pois “Feito Pipa” já se encontra disponível nas telonas de todo o território nacional.