Juiz determina prisão preventiva do ex-presidente paraguaio Santiago Peña
Decisão ocorre um dia após impeachment eprofunda instabilidade política e econômica em Assunção

A Justiça do Paraguai determinou neste sábado (7) a prisão preventiva do ex-presidente Santiago Peña, alvo de impeachment na última sexta-feira (6) em decorrência do escândalo envolvendo o fechamento do Ueno Bank. A ordem foi emitida pelo juiz Humberto Otazú, que justificou a retenção como uma garantia para assegurar a permanência do político no território nacional enquanto o processo judicial tramita.
Investigação e denúncias do Ministério Público Antes da decisão judicial, os promotores já haviam apresentado denúncia formal contra Peña e contra Carlos Carvallo, que comandava o Banco Central do país. As autoridades alegam que o ex-presidente utilizou sua alta função pública para interferir em órgãos estatais, direcionando grandes volumes de recursos públicos para o Banco Ueno, instituição com a qual ele mantencia laços financeiros.
A promotoria sustenta que a conduta configurou explícito conflito de interesses. O ex-mandatário foi acionista da holding controladora da instituição até março de 2025. Conforme a promotora Nancy Salomón, as acusações formalizadas contra o ex-líder podem somar penas de até 10 anos de reclusão para cada uma das imputações.
Defesa e depoimento na promotoria Na manhã de sábado, logo após perder o cargo, Peña compareceu à sede do Ministério Público para prestar depoimento e responder aos questionamentos da investigação. A defesa do ex-presidente nega veementemente as irregularidades apontadas e argumenta que as dificuldades enfrentadas pela instituição financeira decorrem exclusivamente de fatores regulatórios.
O advogado de Peña, Ricardo Preda, declarou aos jornalistas que seu cliente nega as acusações. “Vamos nos submeter à investigação e estou certo de que, ao final dela, o resultado será o arquivamento do caso”, afirmou.
Impacto político e sucessão presidencial A destituição abrupta do chefe de Estado desencadeou manifestações populares em Assunção, além de colocar em alerta os órgãos reguladores para conter abalos sistêmicos na economia paraguaia. Com a queda de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana, filiado ao Partido Colorado, assumiu o comando do Executivo na sexta-feira para cumprir o restante do mandato até agosto de 2028.
Situação do ex-chefe do Banco Central Enquanto isso, Carlos Carvallo, ex-presidente do Banco Central, enfrenta acusações de quebra de confiança, falsificação de documentos públicos e gestão em benefício próprio. Carvallo deixou a presidência da autoridade monetária no início da semana, em meio ao agravamento da crise. O Banco Central divulgou neste sábado que cerca de US$ 160 milhões foram repassados a quase 1,2 milhão de cidadãos por meio do mecanismo estatal de garantia de depósitos.


