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Mundo

Gadi Eisenkot assume missão de formar governo em Israel e desafia Netanyahu

O ex-chefe militar recebeu o mandato presidencial, mas precisará contornar divisões profundas na oposição para consolidar uma nova base.

Gadi Eisenkot terá que superar impasses para formar governo em Israel

O cenário político de Israel sofreu uma reviravolta expressiva com a indicação de Gadi Eisenkot, principal adversário do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, para a liderança na formação do próximo governo do país.

O desafio da coalizão e o mandato presidencial

O presidente Isaac Herzog formalizou a entrega do mandato no domingo (8), após realizar rodadas de consultas com as legendas que conquistaram assentos no Knesset. Eisenkot, general da reserva e líder da sigla centrista Yashar, disporá de um prazo inicial de até seis semanas para costurar acordos e viabilizar um bloco majoritário.

Durante as conversas institucionais, Eisenkot garantiu o respaldo de 67 parlamentares, superando as 46 recomendações obtidas por Netanyahu. A base de apoio do atual premiê apresentou fissuras importantes, destacando-se a recusa do partido Judaísmo Unido da Torá em indicá-lo.

A estratégia do governo de emergência e as exigências políticas

A meta imediata do político centrista é estruturar um gabinete minoritário e de emergência nacional o mais breve possível. Essa articulação inicial contaria com 48 assentos vindos de quatro agremiações judaicas da oposição: Yashar, o bloco “Juntos”, Yisrael Beiteinu e Democratas.

Para integrar esse arranjo, o líder estabeleceu pilares intransigentes, incluindo o reconhecimento do país como uma nação judaica e democrática, o respeito à Declaração de Independência, a obrigatoriedade do serviço militar ou civil universal e o enquadramento do Hamas como entidade terrorista.

Impasses na oposição e a resistência de aliados

A exigência de classificar o Hamas como terrorista afasta formalmente os partidos árabes do primeiro escalão do governo. No entanto, essas legendas poderiam atuar como uma salvaguarda externa no parlamento, uma vez que a legislação local exige maioria simples apenas para a posse, enquanto a derrubada de uma gestão demanda 61 votos absolutos por uma alternativa.

O maior entrave para a estratégia de Eisenkot vem de Avigdor Liberman, dirigente do Yisrael Beitenu. Liberman rejeita qualquer dependência de siglas árabes e argumenta que um arranjo minoritário teria vida breve, pavimentando o retorno de Netanyahu ao poder.

“Teremos o retorno de Netanyahu com 70 cadeiras por mais quatro anos e, a partir daí, é um caminho curto para a aniquilação”, escreveu Liberman na rede social X, na sexta-feira (6).

Como alternativa, Liberman defendeu a aproximação com os partidos ultraortodoxos, rompendo um veto antigo. Contudo, essa proposta colide diretamente com a pauta da oposição de acabar com as isenções do alistamento militar obrigatório para jovens ultraortodoxos.

A reação de Netanyahu e os próximos passos no Knesset

Enquanto isso, Netanyahu tenta invalidar a articulação oposicionista, denunciando supostas irregularidades na votação e alertando sobre riscos à segurança nacional.

Em um pronunciamento em vídeo no sábado (7), Netanyahu alertou que, caso um governo minoritário seja formado com o apoio de partidos árabes, Israel “simplesmente não sobreviverá”.

A resposta do partido Yashar veio em tom duro. Eisenkot descartou a mensagem dele, classificando-as como uma “manobra patética”. Em um comunicado, o partido Yashar afirmou: “Se o Likud deseja um governo de ampla unidade, ele é mais do que bem-vindo a anunciar o rompimento da aliança com os extremistas e a integrar um governo sob a liderança do primeiro-ministro Eisenkot”.

O primeiro teste prático do novo mandato ocorrerá na terça-feira (10) com a posse do Knesset. A oposição articula a substituição da presidência da casa legislativa para destravar investigações sobre as falhas de segurança do atentado de 7 de outubro de 2023.

Na sexta-feira, Eisenkot declarou que pretende formar um governo o mais rapidamente possível, descrevendo o momento atual como uma emergência nacional.

“Uma situação em que um primeiro-ministro interino, à frente de uma minoria e que perdeu a confiança da população de forma tão drástica, continua a comandar o sistema de segurança e as autoridades responsáveis ​​pela aplicação da lei, é um cenário perigoso que não deve perdurar nem por mais um dia sequer”, escreveu ele na rede social X.