Por que adultos que leem contos de fadas são mais maduros
C. S. Lewis explica como a verdadeira maturidade consiste em somar novas paixões sem precisar renegar os gostos da infância.

O escritor britânico C. S. Lewis, autor das Crônicas de Nárnia, propôs uma reflexão profunda sobre o desenvolvimento humano em seu ensaio “On Three Ways of Writing for Children”. Na obra, ele defende que o amadurecimento genuíno não exige o abandono de interesses da juventude, mas sim a liberdade de seguir apreciando o que nos traz significado, independentemente de rótulos sociais. O autor declarou que, ao atingir a idade adulta, abandonou a preocupação e o receio de parecer infantil, bem como a necessidade de demonstrar uma atitude estritamente adulta.
A evolução da maturidade literária
Para ilustrar sua tese, Lewis utiliza sua própria experiência pessoal com a leitura. Enquanto aos dez anos lia contos de fadas escondido por medo de julgamentos, aos cinquenta ele já desfrutava dessas histórias sem qualquer constrangimento. Essa mudança de postura reflete o entendimento de que a necessidade de parecer “adulto” e a vergonha de comportamentos considerados infantis são, paradoxalmente, traços típicos da insegurança da adolescência.
O autor argumenta que o crescimento intelectual funciona como um processo de adição, e não de substituição. Ele utiliza analogias simples para explicar o conceito: o prazer de ler autores como Leo Tolstói e Jane Austen não invalida o apreço pelos contos de fadas, da mesma forma que o hábito de consumir bebidas alcoólicas não suprime o gosto por um suco de limão.
Crescimento como acúmulo de camadas
A perspectiva de Lewis diferencia o crescimento da simples mudança. Ele compara o amadurecimento humano ao desenvolvimento de uma árvore, que ganha novos anéis a cada ano, em vez de um trem que deixa estações para trás. Segundo essa visão, descartar hobbies antigos apenas para se adequar a uma imagem adulta é uma forma de empobrecimento pessoal, e não de evolução.
Além disso, o ensaio destaca que a releitura de obras infantis na fase adulta ganha uma nova dimensão. A bagagem de vida permite que o leitor extraia camadas de significados que, durante a infância, passavam despercebidas.
Autonomia e liberdade pessoal
A maturidade plena, na visão do escritor, é alcançada quando o indivíduo conquista a autonomia de não pautar suas escolhas pela aprovação de terceiros. Ao legitimar a permanência da imaginação na vida adulta, o texto sugere que libertar-se dos estereótipos sobre o comportamento maduro é um passo essencial para o desenvolvimento pessoal, permitindo que a essência de cada um floresça sem as limitações impostas pela pressão social.


