Cenário fiscal do Brasil preocupa e ex-secretário alerta sobre juros
Especialista aponta que deterioração das contas públicas avançará de forma exponencial e cobrança de ajuste será inevitável.

A resiliência recente da economia brasileira encontrou sustentação na tolerância externa, mas o cenário internacional começou a se transformar de maneira drástica para os países emergentes.
Taxa Selic e os rumos das contas públicas Durante participação no programa WW, o economista da gestora ASA Investments e ex-secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, analisou a decisão tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) de fixar a taxa Selic em 13,75% ao ano.
Para o especialista, o panorama fiscal interno é alarmante e os impactos negativos do endividamento público tendem a se intensificar de forma drástica, ultrapassando um limite crítico de sustentabilidade.
Riscos exponenciais no endividamento O analista apontou que o país acumulou um déficit expressivo no primeiro ano do atual mandato, mantendo posteriormente um saldo negativo próximo de 0,5% associado a patamares elevados de juros.
Dessa forma, a solvência nacional ficaria comprometida diante de um novo choque da mesma proporção nos próximos anos. “Os efeitos disso não serão lineares, mas vão piorar exponencialmente a partir de determinado nível”, alertou.
Transformações no ambiente internacional Outro ponto crucial levantado pelo economista envolve a alteração na postura das grandes potências globais em relação ao endividamento estatal, encerrando a fase de flexibilidade monetária.
“Só conseguimos chegar até aqui porque o mundo vivia um período de leniência fiscal”, disse ele, pontuando que as nações desenvolvidas já revisam suas estratégias orçamentárias.
Perspectivas para a política econômica Diante de contas desreguladas, juros altos e desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB), o especialista projeta uma trajetória contínua de alta para a dívida pública, encarecendo o preço de futuras correções de rumo.
Em paralelo, o analista Caio Junqueira ponderou durante o debate que o governo não deve adotar um corte de despesas similar ao de 2003, mas tentará barrar uma repetição da crise de 2014 e 2015. A estratégia governamental deve focar em contenções orçamentárias cautelosas e possíveis elevações tributárias, sem cortes estruturais nos gastos públicos.


