Dormir mal eleva risco cardiovascular e propicia Alzheimer, dizem especialistas
A falta de sono adequado e de qualidade representa uma ameaça significativa para o bem-estar do cérebro e do coração. Especialistas alertam que esse hábito negligenciado no cotidiano eleva perigosamente a probabilidade de ocorrência de enfermidades cardiovasculares, Acidente Vascular Cerebral e quadros de Alzheimer.
O descanso como base do bem-estar
O tema foi debatido em programa televisivo com a presença do cardiologista Dr. Roberto Kalil, do cardiologista Ronaldo Rosa e da neurologista Cristine Cukiert. Os profissionais detalharam como as horas de repouso influenciam o funcionamento sistêmico do corpo humano.
Durante a discussão, apontou-se que o repouso integra o chamado “tripé da saúde”, dividindo espaço com uma dieta equilibrada e a prática de atividades físicas. Ronaldo Rosa, diretor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, pontuou que a medicina ignorou o tema por muitos anos, embora esse um terço da vida — cerca de oito horas diárias — reflita diretamente no restante do dia.
“Durante o período de sono, nós temos uma série de mudanças que nosso organismo tem procurando restabelecer a nossa normalidade fisiológica, tanto a parte cerebral como o cardio circulatório”, afirmou Rosa.
O médico explicou que o corpo reduz naturalmente a pressão arterial e a frequência cardíaca durante esse intervalo, principalmente nos estágios mais profundos do descanso.
Apneia e impactos neurológicos
A privação crônica de sono ou a incapacidade de atingir as fases restauradoras do descanso potencializam os perigos cardiovasculares. Esse cenário é frequente na apneia do sono, patologia que fragmenta o repouso e impede a recuperação fisiológica. “Dormir pouco e dormir mal tem repercussão no nosso organismo”, reforçou Ronaldo Rosa.
As consequências ultrapassam o sistema circulatório. Cristine Cukiert destacou que episódios de AVC costumam acontecer justamente no decorrer da noite.
“Dormir mal é um dos maiores fatores de risco para o desenvolvimento de uma alteração cognitiva, de um Alzheimer no futuro”, alertou a neurologista, que defende a investigação rotineira da qualidade do sono em exames de cardiologia e neurologia.
Influência da menopausa na saúde feminina
A médica também chamou atenção para os reflexos das oscilações hormonais da menopausa sobre o descanso das mulheres. Essa fase modifica a estrutura do sono e intensifica os riscos de problemas cardíacos e cerebrais.
O programa desmistificou a ideia de que o público feminino está imune a infartos, ressaltando que a incidência de problemas cardíacos e AVCs sobe após a menopausa. “A mulher tem que se cuidar tanto quanto o homem nos fatores de risco”, concluiu o Dr. Kalil, com Cristine Cukiert concordando enfaticamente: “Muito, muito, com certeza.”



