Democratas conquistam maioria no Congresso dos EUA em projeção
Partido garante controle de ambas as casas legislativas após vitórias históricas em redutos republicanos durante as eleições de meio de mandato.

Com a ultrapassagem da marca de 218 assentos na Câmara dos Representantes e 51 no Senado dos Estados Unidos, o Partido Democrata vai assegurar o comando de ambas as casas legislativas pelo próximo bienênio, de acordo com estimativas eleitorais.
Eleições de meio de mandato nos EUA Os cidadãos americanos compareceram aos locais de votação nesta terça-feira (3) para as chamadas Midterms, pleito em que ocorre a renovação integral da câmara baixa e de trinta por cento dos senadores. O processo também definiu governadores em 36 estados e diversos postos administrativos regionais.
Avanço em territórios republicanos Para atingir o patamar majoritário, a legenda democrata avançou sobre bases tradicionais do partido rival, triunfando em praças que não votavam em seus candidatos há décadas.
Entre os feitos estão a tomada de uma vaga no Senado na Carolina del Sul, território onde Trump triunfou por dezoito pontos de diferença em 2024, e outra no Texas, ausente de representantes democratas na câmara alta desde 1988. Os opositores também celebraram um triunfo no Kansas, estado que não elegeu um senador do partido desde 1932. Historicamente, a alternância de comando nas duas instâncias no mesmo ciclo ocorreu apenas duas vezes em cinco décadas.
Reflexos para a administração federal O pleito funcionou paralelamente como um teste de popularidade para a gestão de Donald Trump, conforme analistas. A alta de preços e o encarecimento do custo de vida, com destaque para os combustíveis, figuram entre as maiores apreensões da população. O quadro se junta a outra crise política do governo: o conflito com o Irã, deflagrado em fevereiro e sem tratativas de paz concluídas.
O chefe do Executivo chegou à data da votação com patamar reduzido de popularidade. Um levantamento da Reuters com a Ipsos divulgado em 26 de outubro apontou que 32% dos cidadãos avaliavam a administração de maneira favorável.
O resultado concede à oposição prerrogativa investigativa sobre as decisões da gestão federal. Questionado por meios de comunicação sobre o pleito, o presidente declarou que acatariam os números, mas evitou associar sua rejeição pública ao desempenho nas urnas.
“Não encaro isso como um golpe contra mim”, disse em entrevista à Fox News.
“Tivemos os dois melhores anos na história da presidência em termos de economia, em termos de tudo o que realizamos”, declarou, ao mesmo tempo em que reconheceu o impacto da guerra do Irã para os eleitores. “Não aceitaram o impacto de curto prazo nos preços da gasolina.”
Ao ser questionado sobre qual seria sua mensagem final ao povo americano, o presidente parabenizou o partido adversário.
“Bem, digo o seguinte: parabéns aos democratas”, declarou Trump. “Eles fizeram um bom trabalho. Estavam buscando isso há 11 anos e, finalmente, conseguiram”, disse.
Em momento anterior da mesma conversa, o mandatário culpou postulantes republicanos endossados por ele próprio pelas perdas. Segundo sua avaliação, alguns competidores “lutaram contra mim” e falharam em motivar o eleitorado a comparecer às seções eleitorais.
Contudo, ao longo da jornada de campanha, o líder do governo havia pedido aos eleitores que focassem sua figura no momento da escolha.
“Vocês precisam me fazer o maior favor que já me fizeram: fingir que eu estou nas cédulas”, disse na convenção do Partido Republicano, no início de setembro.
O novo arranjo de forças no Capitólio redesenha o cenário político norte-americano para a segunda metade do mandato presidencial.



