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Fenômeno do atletismo, Masai Russell mira legado histórico nas pistas

Recordista mundial dos 100m com barreiras acumula invencibilidade e constrói império digital na internet.

Conheça a youtuber que virou recordista mundial dos 100m com barreiras

Com uma temporada perfeita em 2026, a velocista norte-americana Masai Russell cravou 14 vitórias em 14 participações nos 100m com barreiras. Aos 26 anos, a atleta já projeta um ciclo histórico para os próximos dois anos, de olho no Mundial de 2027 e nos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028, buscando se consagrar definitivamente na história da modalidade.

Domínio absoluto e recorde mundial em Zurique

O ponto alto da temporada aconteceu na etapa de Zurique da Diamond League, quando a campeã olímpica completou a prova em 12s09, superando a marca anterior de Tobi Amusan. Para coroar o ano, ela também faturou o primeiro Campeonato Mundial Ultimate de Atletismo e garantiu uma indicação ao prêmio de Atleta Mundial do Ano.

“Assim como as pessoas ainda falam de Usain Bolt e de como os recordes dele parecem intocáveis”, comparou ela à CNN, “eu quero que os pessoas questionem o mesmo sobre a Masai: ‘Como ela conseguiu fazer isso?’”

A atleta demonstrou confiança em suas conquistas recentes. “Quando corri 12s09, eu pensei: ‘Não esperávamos isso?’”, declarou.

“No fim das contas, foi uma bênção ter trabalhado por tantos anos e ver o resultado do trabalho aparecer. Independentemente do que as pessoas disseram que eu poderia ou não fazer, é uma bênção ver que o trabalho duro realmente funciona.”

Sobre a disputa pelo prêmio máximo da federação internacional, ela manteve a autoconfiança. “Acho que o que é para ser meu vai acontecer”, diz ela, com um sorriso irônico. “Mas não acho que alguém tenha feito o que eu fiz neste ano: ficar invicta, quebrar o recorde mundial, correr os tempos que corri e bater todos os recordes de competições.”

“Então, o que tiver que ser, será, mas acredito que eu deveria ganhar.”

Infância competitiva e os primeiros obstáculos

Nascida em Upper Marlboro, no estado de Maryland, a velocista desenvolveu sua garra desde os oito anos de idade disputando corridas na rua com os irmãos mais velhos, Philip e Devine, que jogavam basquete.

“Acho que meu espírito competitivo veio com certeza de crescer com meus irmãos, de ser a única menina por muito tempo, de virar praticamente um dos garotos”, lembra Russell. “Acho que por isso eu era tão rápida, porque competia contra eles, tentando acompanhá-los.”

O suporte rigoroso dos pais, Sharon e Mark, moldou sua ética de trabalho. Ela relembra os sacrifícios familiares e o exemplo da mãe, que conciliava a medicina com a criação dos filhos. “Ela definitivamente me mostrou o que era trabalho duro, como é ser dedicada e fazer acontecer independentemente de como você se sente.”

Essa resiliência foi testada em 2023, quando sofreu reveses importantes na NCAA e em seu primeiro Mundial como profissional. “Eu perdi muito, mas, no fim das contas, não dá para vencer sem perder”, disse à CNN. “Não dá para vencer sem fracassar; não dá para vencer sem tropeços no caminho que façam você valorizar por que venceu.”

O ouro olímpico e o sucesso no YouTube

A consagração máxima veio nos Jogos de Paris, quando conquistou o ouro por apenas um centésimo de segundo. “Cruzando a linha em Paris, eu não sabia que tinha vencido”, lembra Russell. “Olhei para cima e pensei: ‘Sei que ganhei uma medalha, mas qual?’ E, quando vi meu nome aparecer, simplesmente perdi o controle.”

“Eu ganhei as Seletivas um mês antes, a primeira vez que venci um título nacional, e, um mês depois, ganhar meu primeiro título global foi nada além de um sonho, nada além de um sonho de verdade.”

Além das pistas, a atleta cultiva uma sólida carreira digital. Criadora de conteúdo desde os 16 anos, ela comanda um canal no YouTube com dezenas de milhares de inscritos, onde compartilha os bastidores da sua rotina e se conecta diretamente com os fãs.

“Eu adoro criar conteúdo e mostrar minha vida e o que estou fazendo, mostrar também o que acontece fora da pista e que sou maior do que apenas uma atleta”, conclui. “A maior motivação para moi é permitir que as pessoas venham nessa jornada comigo.”