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Mundo

Como o mundo reagiu à derrota de Trump nas eleições americanas

O resultado das midterms gerou sentimentos distintos entre líderes globais, variando de alívio em Kiev a um cálculo estratégico em Pequim.

Como o mundo leu a derrota de Trump: esperança em Kiev, cautela em Berlim, cálculo em Pequim, silêncio em Jerusalém e um teste na ONU

A recente derrota de Donald Trump nas eleições de meio de mandato (midterms) desencadeou uma onda de interpretações distintas ao redor do globo. Longe das notas diplomáticas protocolares, as reações internacionais foram moldadas pelo pragmatismo: cada país buscou identificar, nos resultados, o que poderia representar ganho ou perda para seus próprios interesses estratégicos.

O alívio e a esperança na Europa

O sentimento em diversas capitais foi de alívio. Na Ucrânia, o Kyiv Independent destacou que a mudança no controle do Congresso é um “golpe em Trump” e um “possível reforço para a Ucrânia”. Antes do pleito, o presidente Volodymyr Zelensky já havia mencionado que o apoio bipartidário em Washington estava em um patamar sólido.

Na Alemanha, o ministro da Defesa, Boris Pistorius, celebrou o que chamou de “vitória histórica”. Já o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, interpretou o resultado como um “desmoronamento” da onda de extrema-direita. Em tom similar, o premiê norueguês, Jonas Gahr Støre, avaliou que a política americana tende a aproximar vozes mais alinhadas com as pautas europeias de clima e diplomacia.

Cálculo estratégico em Pequim e no Oriente Médio

Para a China, a postura oficial foi de distanciamento. A porta-voz Mao Ning classificou o pleito como “assunto interno” e reforçou o desejo por uma “relação estratégica construtiva”. Contudo, analistas apontam que Pequim deve explorar a fragilidade política de Trump para renegociar tarifas comerciais.

No Irã, o tom foi de confronto. Mohammad Ghalibaf, presidente do Parlamento, declarou que “os americanos disseram NÃO à guerra” e alertou que, caso o governo dos EUA ignore esse recado, a resposta virá com um “pesadelo”. Enquanto isso, em Jerusalém, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu manteve um silêncio estratégico após ter apoiado abertamente os republicanos.

A disputa na ONU e o efeito Orbán

A sucessão na Secretaria-Geral da ONU aparece como um ponto de tensão imediato. Com o mandato de António Guterres encerrando em 31 de dezembro, o cenário de disputa permanece incerto. O Wall Street Journal revelou que o governo Trump sondou Viktor Orbán para o cargo, visando apoio de Rússia e China.

Contudo, a viabilidade de tal indicação enfrenta barreiras. O chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, criticou a possível nomeação, afirmando que Orbán usaria no cargo suas “habilidades de vetar e chantagear”. A França, detentora de poder de veto, já sinalizou que o posto não pode ser tratado como um “prêmio de consolação” para figuras políticas derrotadas nas urnas.

Contexto geopolítico

Embora o resultado das midterms tenha enfraquecido a base de Trump, analistas alertam que o poder de veto e o controle sobre temas como imigração e operações militares permanecem intactos. A conclusão geral é que, a curto prazo, a política externa americana deve sofrer poucas alterações imediatas, mas a capacidade de manobra de Washington está sob escrutínio. O mundo observa agora os próximos passos, incluindo a reunião da Apec e as negociações sobre a Ucrânia, para entender como uma Casa Branca sob pressão agirá no cenário global.