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Brasil

Licínio Januário brilha em A Nobreza do Amor após largar engenharia

Ator angolano, que integra o elenco principal da trama das 18h, celebra papel de destaque e trajetória de sucesso no cinema e na TV brasileira.

Licínio Januário troca engenharia para viver mocinho em “A Nobreza do Amor”

Licínio Januário, ator de 34 anos radicado no Brasil há quase duas décadas, vive o auge de sua trajetória artística na pele de Dumi, um dos nomes centrais do núcleo africano da novela A Nobreza do Amor. O personagem, que lidera a resistência contra o regime autoritário de Jendal, interpretado por Lázaro Ramos, tem exigido uma entrega profunda do artista.

O desafio de interpretar um herói Para o ator, o papel representa um marco significativo em sua carreira. “O Dumi foi o meu maior desafio até agora”, avalia o ator. Licínio explica que a complexidade do personagem reside em sua evolução na trama: ele começa como um general imponente e, conforme os eventos se desenrolam, revela facetas mais vulneráveis. Além disso, o artista reforça o pioneirismo da obra ao colocar a África no centro da narrativa, ressaltando o peso dessa representatividade. “Quando nos reunimos pela primeira vez, a gente falou: ‘É uma responsabilidade isso que a gente vai fazer’. É uma responsabilidade para o lado pessoal de cada um. A gente interpreta os personagens que a gente sempre quis ver na tela, que vê talvez em outras línguas, mas sempre gostaria de ver falando em português, para ajudar nessa nossa construção enquanto indivíduos”, reflete.

Bastidores e a caracterização de Dumi A construção visual do personagem também despertou curiosidade entre os telespectadores, especialmente sobre os olhos verdes de Dumi. Licínio esclarece que o visual é fruto de uma composição detalhada que incluiu o uso de lentes de contato pela primeira vez em sua vida. “Eu nunca tinha usado lente. Nunca usei lente na minha vida, e esse negócio da lente foi muito legal. Eu nunca usei piercing, eu não tenho tatuagem, nada. Primeiro foi o figurino. [Perguntaram] ‘você toparia botar umas argolas e tal?’. Eu falei: ‘Top’ (risos). Foram cinco argolas aqui, o processo foi daquele jeito”, entrega.

Carreira e transição da engenharia para as telas Antes de consolidar seu nome na dramaturgia, Licínio trilhou um caminho distinto. Formado em engenharia civil, ele decidiu mudar o rumo de sua vida profissional por meio da capoeira, iniciando sua jornada nas artes com receio, mas muita convicção. “Eu sempre agradeço o Licínio de 14 anos atrás, quando deu o primeiro passo para seguir nas artes, mesmo com muito medo”, declara.

Sua filmografia inclui participações de peso, como o filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho. Sobre sua transição, ele comenta: “Eu vim da engenharia civil, vou para a atuação por causa da capoeira, eu estou sempre caminhando. Não coloco um ponto final. Quando passei para fazer o filme, disse: ‘Vou ter a honra de trabalhar com o Kléber, com o Wagner, com o Zezu, a Alice’. Uma galera supermassa do cinema. Digo que eu fui vivendo muito sem saber para onde ia dar”, analisa.

O futuro do artista Com passagens marcantes por produções como Segundo Sol e o remake de Vale Tudo, Licínio Januário mantém uma agenda repleta. Além do sucesso na novela das 18h, o ator está em cartaz com a peça Palco Caderno e integra o elenco do filme 100 Dias, de Carlos Saldanha. O artista celebra a constante troca com grandes nomes da teledramaturgia brasileira e vê seu trabalho como uma ponte cultural, levando um pouco de Angola para cada projeto que assume.