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Mundo

Donald Trump sinaliza corte na ajuda militar dos Estados Unidos a Israel

Anúncio inesperado feito durante o dia das eleições americanas expõe rachaduras no tradicional apoio bipartidário a Tel Aviv.

Análise: Trump sinaliza mudança histórica dos EUA em relação a Israel

O presidente Donald Trump surpreendeu o cenário político ao anunciar, no dia das eleições, que os Estados Unidos encerrariam o repasse de quase US$ 4 bilhões anuais em ajuda a Israel. Conhecido como um dos líderes americanos mais simpáticos ao Estado judeu nos tempos modernos, o republicano fez a declaração durante uma entrevista à Fox News, embora o discurso tenha gerado dúvidas pela escassez de detalhes práticos.

Desdobramentos na cooperação militar A maior parte dessa verba bilionária, regul Bada por um acordo de 2016 que se estende até o final de 2028, é direcionada exclusivamente para a aquisição de armamentos e equipamentos fabricados por empresas dos Estados Unidos. A iniciativa ocorre em um momento politicamente delicado, marcado por impasses eleitorais em Tel Aviv e pelo desgaste na imagem do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Posicionamento do governo e declarações oficiais Ainda é incerto se a interrupção dos repasses ocorrerá de forma imediata ou se a medida respeitará o prazo do atual memorando de entendimento. Analistas apontam que a economia israelense atingiu um patamar robusto o suficiente para dispensar o subsídio estrangeiro em compras militares.

“Eu não exageraria a importância” das declarações de Trump nesta terça-feira, disse Brett McGurk, analista de assuntos globais e autor do livro Brink, ponderando sobre o alcance real da fala do presidente.

Repercussão na política interna norte-americana O movimento de Trump também reflete a crescente pressão de alas democratas e de setores da própria base republicana que consideram o patrocínio financeiro insustentável diante de crises internas e do alto custo de vida nos Estados Unidos.

“Fiz um acordo pelo qual damos US$ 4 bilhões por ano a Israel, e fechamos um acordo meses atrás para interromper isso… Eles estão de acordo, porque, sabe, se tornaram um país muito bem-sucedido”, afirmou Trump, acrescentando que Washington continuará prestando socorro militar aos israelenses em eventuais emergências, mas reiterando que os pagamentos regulares devem cessar até o final do ano.

Consequências geopolíticas de longo prazo A transformação de Israel em um tema polarizado na política interna dos Estados Unidos acende alertas estratégicos para Tel Aviv. Com a opinião pública cada vez mais crítica em relação aos conflitos no Oriente Médio e o crescimento de correntes isolacionistas na política americana, o futuro da aliança militar entre as duas nações entra em um período de inédita instabilidade.