24/10/2026

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X aponta ação coordenada e Google descarta robôs no Exército do Lula

As plataformas de tecnologia X e Google responderam aos questionamentos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta sexta-feira (23) a respeito da repercussão digital em torno do canal “Exército do Lula”, gerenciado pelo deputado André Janones (Rede-MG). A manifestação ocorreu após determinação do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, que estipulou o prazo de 24 horas para a entrega de dados técnicos sobre uma eventual amplificação artificial de conteúdos.

A cobrança do TSE O despacho do magistrado atendeu a uma solicitação apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Os representantes políticos alegaram que o grupo orientou simpatizantes a alavancar hashtags específicas no X e a realizar buscas direcionadas no mecanismo de pesquisa.

Ao ordenar o envio das informações, Nunes Marques pontuou que ainda faltavam elementos consistentes para avaliar os pedidos da coligação, reforçando que a articulação de militantes é permitida na internet, desde que desprovida de finalidades ilegais.

Análise do X sobre as publicações O X examinou 58 hashtags mencionadas na representação judicial, totalizando cerca de 8,2 milhões de postagens disparadas por aproximadamente 476 mil perfis. A empresa identificou um esforço conjunto com picos em horários específicos, mas ressaltou que a maior parte das mensagens veio de usuários legítimos.

O pico de maior destaque ocorreu com a hashtag #PesquiseBolsonaroMandouMatarLula, que acumulou 307.583 menções apenas na primeira hora de circulação.

Apesar da mobilização intensa, o relatório apontou que cerca de 97% das contas analisadas não exibiram indícios de robotização, redes de perfis falsos ou gestão irregular em massa. Nos casos restantes com suspeita de comportamento inautêntico, a empresa adotou providências: 12.454 perfis sofreram suspensão e outros 398 passaram por nova verificação via telefone.

A rede social argumentou perante a Justiça Eleitoral que sua diretriz de autenticidade assegura o direito de pessoas reais se organizarem para demonstrar apoio ou rejeição a pautas políticas, contanto que recusem estratégias baseadas em automação ou contas fakes. A companhia lembrou ainda que a regulamentação eleitoral tolera ações de mobilização digital, como postagens simultâneas, desde que não configurem ilícitos.

Verificação do Google Por sua vez, o Google declarou que suas auditorias internas não localizaram ameaças cibernéticas, tráfego automatizado, ataques via script ou infraestrutura de botnets associadas aos termos investigados, tampouco infrações às diretrizes da empresa que fundamentassem sanções nas buscas.

A corporação destacou que opera defesas contínuas contra consultas automatizadas e que as estatísticas do Google Trends já incorporam essa filtragem. Contudo, ponderou que os dados da ferramenta são públicos, consolidados, anonimizados e amostrais, o que impede constatar isoladamente fraude ou articulação irregular. Um salto repentino nas buscas, segundo a empresa, também pode refletir o debate gerado por um tema de grande repercussão.

Histórico e novas decisões O imbróglio envolvendo o canal administrado por André Janones soma episódios de bloqueios e reativações na Corte, tendo sido integrado formalmente à campanha de Lula por ordem de Nunes Marques. Posteriormente, após o tribunal estipular parâmetros para vincular páginas de apoiadores a candidaturas, o ministro permitiu que a coligação petista desvinculasse o canal.

Em paralelo, o ministro Floriano de Azevedo Marques emitiu uma liminar para barrar qualquer tentativa da Presidência do TSE de suspender, banir ou limitar as atividades do canal por via administrativa, estipulando que tal medida exige deliberação do plenário. O caso seguirá para análise dos demais ministros.