Vigilância sanitária investiga hospital em SP após morte de 35 bebês
Órgãos de saúde e polícia investigam 35 mortes de bebês no Hospital Salvalus, na Zona Leste de São Paulo. Famílias relatam falhas e demora. O Centro de Vigilância Sanitária (CVS) e a Vigilância Epidemiológica (CVE) de São Paulo conduziram uma vistoria conjunta no Hospital e Maternidade Salvalus, localizado no bairro da Mooca, na Zona Leste da capital paulista. A fiscalização ocorreu para apurar o contexto das 35 mortes de recém-nascidos na unidade, que é administrada pela Hapvida, integrante do grupo NotreDame Intermédica.
Avaliação de protocolos e atendimento médico
Durante a inspeção, os fiscais examinaram a situação operacional dos setores de pediatria e neonatologia. Foram verificados os procedimentos de assepsia e prevenção de infecções, bem como o acompanhamento dos indicadores de assistência médica. Os técnicos também recolheram dados sobre a alteração no perfil dos pacientes atendidos na instituição, com foco especial nos casos de alta complexidade. Conforme a Secretaria de Saúde, os papéis e registros obtidos durante a diligência estão em fase de avaliação para a definição de providências administrativas.
Investigação policial e relatos de famílias
A investigação ganhou força após a Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmar, que a Polícia Civil recebeu registros sobre seis óbitos de crianças na mesma maternidade ao longo de 2026. O caso é conduzido pelo 8º Distrito Policial, situado no Brás. A corporação iniciou a oitiva de testemunhas e profissionais de saúde do hospital, além de examinar os prontuários médicos. Com o avanço das apurações, novos familiares procuraram as autoridades para denunciar perdas na unidade. Segundo Eduarda Fragnan Gomes, assistente jurídica do escritório que acompanha os casos, a maior parte dos relatos se refere a ocorrências deste ano. Entre as principais reclamações dos parentes estão a suposta negligência no acompanhamento clínico, a lentidão no atendimento a emergências e deficiências na limpeza das instalações.
Posicionamento da administração hospitalar
Em nota oficial, a Hapvida afirmou que segue a disposição das autoridades e atende cases de alta complexidade, incluindo prematuridade extrema, malformações, síndromes genéticas e doenças infecciosas, e que as situações clínicas não podem ser atribuídas a uma mesma causa sem comprovação técnica. A empresa acrescentou que mais de mil crianças receberam atendimento na unidade ao longo deste ano, com suporte individualizado e equipes capacitadas. De acordo com a administração, os prontuários demonstram quadros clínicos variados, sem qualquer indício de um foco infeccioso compartilhado entre os episódios analisados.



