Ataques online e racismo afetam a maioria dos tenistas profissionais
Uma análise recente revelou que mais de 85% dos atletas do circuito masculino que geraram engajamento digital no último ano enfrentaram algum tipo de hostilidade virtual.
Inteligência artificial na moderação Para combater esse cenário, a ATP bloqueou cerca de 234 mil comentários inadequados para evitar que o conteúdo chegasse aos competidores e ao público, conforme divulgado pela própria entidade.
O balanço foi estruturado a partir da verificação de mais de 3,7 milhões de mensagens em perfis oficiais e de atletas. O trabalho foi conduzido pela iniciativa Safe Sport, que une moderação automatizada e análise humana de riscos.
Ações de proteção no circuito Do total de 284 mil manifestações ofensivas detectadas, mais de 82% foram eliminadas instantaneamente. No primeiro ciclo do projeto, o sistema ocultou mais de 162 mil interações classificadas como infrações severas.
“O bem-estar dos jogadores está no centro do trabalho de proteção da ATP”, disse Andrew Azzopardi, diretor de proteção da entidade.
O dirigente também enfatizou o alcance das ferramentas digitais adotadas pelo órgão gestor.
“Impedir que mais de 234 mil comentários abusivos cheguem aos jogadores e aos torcedores demonstra o impacto concreto que o programa tem todos os dias. O abuso online não tem lugar no tênis.”
Além disso, a liderança confirmou a continuidade dos aportes financeiros no setor.
“Vamos continuar investindo na tecnologia, na expertise e nas parcerias que protegem os jogadores, e seguiremos trabalhando com as autoridades para responsabilizar os culpados.”
O impacto das apostas e do racismo A hostilidade digital costuma partir de apostadores descontentes, um problema crônico na modalidade. Diante de eliminações, competidores frequentemente lidam com ataques de usuários anônimos.
O problema, no entanto, vai além dos palpites esportivos perdidos e atinge esferas criminosas como o preconceito racial. Recentemente, a norte-americana Coco Gauff relatou ter sido alvo de uma quantidade expressiva de ofensas racistas durante a disputa do China Open, episódio que gerou repúdio formal do Escritório de Direitos Humanos da ONU.
Resposta global das entidades Como resposta ao avanço das ameaças virtuais, as principais organizações do tênis mundial — incluindo a WTA, a World Tennis, o All England Club e a USTA — passaram a adotar plataformas de monitoramento baseadas em inteligência artificial.
Grandes torneios do Grand Slam, a exemplo de Roland Garros, também implementaram softwares de filtragem para blindar os competidores contra discursos de ódio e assédio nas redes sociais.



