12/10/2026

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Nunes Marques suspende canal ‘exército do lula’ no whatsapp até o segundo turno

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão imediata do canal de mensagens “Exército do Lula” no WhatsApp. A medida atende a uma representação apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, e terá validade até o encerramento do segundo turno das eleições.

Detalhes da ordem judicial e impacto nas redes

Além de tirar do ar o canal de comunicação, a determinação atinge a conta do deputado federal André Janones (Rede-MG) na plataforma. O WhatsApp recebeu o prazo de duas horas para cumprir a ordem e foi orientado a fornecer um relatório completo contendo todas as mensagens publicadas na comunidade, além de informar se existem outras contas ou grupos criados pelo parlamentar desde o dia 5 de outubro.

Na avaliação da presidência da Corte Eleitoral, embora a mobilização política seja legítima, a estrutura em questão estaria sendo empregada para finalidades irregulares, incluindo a propagação coordenada de informações falsas contra adversários na disputa presidencial.

Crescimento expressivo e argumentos do TSE

A decisão judicial destaca o crescimento vertiginoso da comunidade digital, que saltou de aproximadamente 55 mil seguidores na manhã de 5 de outubro para quase 3 milhões de participantes poucos dias depois, gerando milhões de encaminhamentos. O documento aponta que o administrador incentivava uma dinâmica de comando único e repetição robótica de narrativas.

Entre os conteúdos apontados pela Justiça como inverídicos em processos anteriores estão boatos sobre propostas de retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, supostos vínculos com milícias e alegações de cortes em benefícios sociais como aposentadorias, pensões, BPC e o programa Bolsa Família.

Reação da campanha e novos desdobramentos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente a medida e anunciou que sua equipe jurídica solicitará esclarecimentos formais ao tribunal. Em declaração a jornalistas em São Paulo, o chefe do Executivo classificou a decisão como “tendenciosa” e afirmou: “Eu acho um absurdo. Os nossos advogados vão entrar com um pedido de explicação ao presidente do TSE, porque há alguns dias vêm acontecendo decisões tendenciosas contra a nossa candidatura. Nós não vamos permitir que seja fechado um canal de um deputado que está pedindo para as pessoas participarem do canal. Não é possível que o presidente da Justiça Eleitoral não tenha um comportamento civilizado, republicano, e deixe as eleições fluírem sem a interferência da justiça”.

O petista também manifestou desconfiança em relação à postura adotada pela Corte Eleitoral no pleito, argumentando que sua campanha estaria sofrendo restrições enquanto ações de rivais teriam maior tolerância. “Nas redes nós estamos ganhando o jogo. Nosso povo está postando muita coisa, está muito ativo e, por isso, tenho desconfiado da postura da Corte Eleitoral, que tem bloqueado gente nossa e permitido as ações dele. Por vez, vamos entrar com um pedido para equilibrar esse jogo”, completou.

Com o cenário polarizado após um primeiro turno em que Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula, a fiscalização sobre o uso de plataformas de mensagens instantâneas segue como um dos pontos mais sensíveis da reta final da disputa eleitoral brasileira.