17/10/2026

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Brasil projeta colheita recorde de 367 milhões de toneladas

O agronegócio nacional se prepara para alcançar uma marca inédita no ciclo 2026/27. De acordo com o levantamento inicial divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de grãos deve atingir 367,1 milhões de toneladas. O resultado representa um avanço de 1,4% frente à temporada anterior, impulsionado por uma área cultivada prevista em 85,4 milhões de hectares, expansão de 2,3%.

O descompasso estrutural entre a lavoura e a armazenagem

Embora a produtividade continue em ritmo acelerado dentro da porteira, a infraestrutura pós-colheita volta a preocupar o setor produtivo. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a capacidade útil de estocagem no país está estimada em 233,8 milhões de toneladas — volume consideravelmente inferior ao total que sairá dos campos.

Ainda que o calendário escalonado das culturas e o escoamento contínuo impeçam um colapso generalizado, o déficit de espaço físico costuma obrigar os produtores a negociar a carga no auge da safra, quando as cotações sofrem maior pressão. A escassez de silos também agrava as filas nas rodovias, encarece o valor do frete e afeta a competitividade nos terminais portuários.

Desempenho das principais culturas: soja e milho puxam o crescimento

A soja segue na liderança absoluta da produção agrícola. A projeção aponta para 181,6 milhões de toneladas colhidas (+0,7%) em uma extensão de 49,3 milhões de hectares (+1,4%). Além de garantir matéria-prima para a indústria de ração e biodiesel, o grão deve gerar exportações de aproximadamente 118 milhões de toneladas.

O milho também demonstra forte dinamismo, com estimativa de atingir 148 milhões de toneladas (+2,4%) e área total de 23,7 milhões de hectares (+4,9%). O grande impulso vem da primeira safra do cereal, que prevê uma expansão de 10,7% em área cultivada.

Demanda industrial por biocombustível e o avanço catarinense

A valorização do milho decorre diretamente do crescimento das usinas de etanol, que devem elevar o consumo interno do grão em 6,6%. No âmbito regional, Santa Catarina se destacou no ritmo das lavouras: até 9 de outubro, o estado já havia implementado 79,9% da área prevista para a cultura, liderando o plantio na Região Sul para abastecer os polos locais de suinocultura e avicultura.

Arroz em trajetória de recuo e atenção às variáveis climáticas

Em sentido oposto, a cadeia do arroz acende um sinal de cautela. A produção nacional deve cair 2,9%, somando 10,8 milhões de toneladas, afetada por uma queda projetada de 3,7% no rendimento médio — que atinge -4,7% no Sul. Como a demanda interna equivale exatamente à colheita estimada, os estoques finais de passagem tendem a cair mais de 22% até fevereiro de 2028, descendo para 1,4 milhão de toneladas.

A confirmação desses volumes históricos permanece sujeita às oscilações do clima. Sob a vigência do fenômeno El Niño, a intensidade das chuvas na Região Sul já provocou entraves pontuais para a operação de maquinários, ressaltando que o sucesso comercial da temporada dependerá tanto da estabilidade climática quanto da capacidade logística do país.