28/10/2026

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Saída de Flávio Bolsonaro reabre histórico de aliados e familiares do clã que deixaram o Brasil

A viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos nesta terça-feira (27), após sofrer derrota na disputa presidencial, traz à tona uma série de episódios semelhantes de figuras ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que optaram por sair do país em meio a revezes políticos e judiciais. Além dele, nomes como Carla Zambelli, Alexandre Ramagem, Eduardo Bolsonaro e Oswaldo Eustáquio compõem essa lista de saídas rumo ao exterior.

Embarque rumo aos EUA e ordem judicial

Flávio desembarcou em solo americano acompanhado da esposa e das filhas, conforme apontaram informações obtidas junto a fontes do governo dos Estados Unidos. A movimentação ocorreu logo após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega dos documentos de viagem do parlamentar.

O prazo estipulado para a entrega dos passaportes encerrou-se às 11h da mesma terça-feira sem o cumprimento da ordem, o que levou a Polícia Federal a cancelar os documentos. Um dia antes, o senador havia declarado publicamente que não tinha planos de deixar o território nacional.

Investigado por suposta lavagem de dinheiro e evasão de divisas em um procedimento que também atinge o advogado Willer Tomaz, Flávio classificou a exigência da Suprema Corte como uma tentativa de coerção e afirmou que entregaria o material exigido. A repercussão do caso gerou reações diversas no meio político e policial. “Não surpreende”, disse democrata da Flórida à CNN sobre fuga de Flávio, enquanto delegados da PF afirmaram que o risco de fuga de Flávio se concretizou. Mesmo com a mudança de país, especialistas apontam que inquéritos contra Flávio podem continuar no STF mesmo com perda de foro.

Movimentações de Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro

O histórico de partidas inclui a ex-deputada federal Carla Zambelli, que rumou para a Itália em 2025 após ser sentenciada pelo STF a dez anos de reclusão no caso da invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Alegando a busca por tratamento médico, ela se instalou no país europeu, onde possui cidadania, e atualmente aguarda em liberdade os desdobramentos de sua extradição.

Outro integrante da família que se deslocou para território norte-americano foi o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Licenciado de seu mandato em março de 2025 e amparado na justificativa de perseguição política, ele passou a atuar junto ao governo dos EUA em prol do pai antes de ser alvo de condenações criminais. Em meados de 2026, a Suprema Corte o sentenciou a quatro anos e dois meses de reclusão por coação no curso do processo, sob a acusação de tentar influenciar o julgamento da tentativa de golpe por meio de pressão sobre autoridades brasileiras, com trânsito em julgado ocorrido em outubro.

Casos de Alexandre Ramagem e Oswaldo Eustáquio

A lista de saídas e impasses judiciais também abrange o ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) paralela, Alexandre Ramagem. Mesmo sob proibição de deixar o país imposta pelo STF, ele cruzou a fronteira rumo à Guiana a partir de Roraima e ingressou nos Estados Unidos com passaporte diplomático. Condenado a mais de 16 anos de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado, Ramagem declarou em julho à CNN Brasil que aguardava análise de pedido de asilo, após ter sido brevemente detido pelo serviço de imigração norte-americano em abril.

No cenário europeu, o blogueiro Oswaldo Eustáquio está radicado na Espanha desde 2023, após passar pelo Paraguai e acumular mandados de prisão no Brasil. A Justiça espanhola negou o pedido de extradição formulado pelas autoridades brasileiras por entender haver motivação política nas investigações, embora a Primeira Turma do STF o tenha tornado réu recentemente por associação criminosa nos eventos de 8 de Janeiro.

Prisão de Silvinei Vasques e antecedentes

Diferente daqueles que conseguiram se estabelecer no exterior, o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques foi capturado em Assunção, no Paraguai, em dezembro de 2025. Conforme apurações policiais, ele rompeu a tornozeleira eletrônica, deixou Santa Catarina de carro e tentou embarcar para El Salvador com documentação falsa após ser condenado a mais de 24 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe. Ele foi prontamente entregue à justiça do Brasil.

Precedente a todos esses episódios, o blogueiro Allan dos Santos deixou o território brasileiro em 2020 rumo aos Estados Unidos. Alvo de mandado de prisão preventiva emitido por Alexandre Moraes em 2021 no âmbito das apurações sobre milícias digitais, ele também passou a ser alvo de pedidos de extradição enquanto alegava sofrer perseguição política, marcando o início da sequência de fugas e impasses internacionais que continuam a ecoar no cenário político nacional.