12/10/2026

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Pico do El Niño em 2026 pode ser um dos maiores da história

As águas do Oceano Pacífico apresentam um aquecimento acelerado, e o fenômeno El Niño caminha para atingir sua potência máxima em dezembro de 2026. Projeções divulgadas pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) indicam que o evento climático atual tem potencial para superar marcas históricas e se consolidar entre os mais intensos já monitorados pelo ser humano.

Aquecimento do Pacífico pode quebrar recordes

Modelos meteorológicos apontam que a temperatura da superfície marinha no leste e centro do Pacífico Equatorial deve alcançar, em média, 3,7°C acima do padrão térmico entre os meses de outubro e dezembro. Caso esse índice se confirme nas medições oficiais, superará o ápice anterior de 2,6°C registrado na virada de 2015 para 2016.

A evolução do quadro tem sido rápida: os índices monitorados na área de referência (Niño 3.4) subiram de 1,6°C acima da média em junho para 2,5°C em agosto. Segundo a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, o El Niño já está completamente estabelecido e em fase de intensificação acelerada, com projeções indicando que o episódio pode se posicionar entre os mais severos observados desde pelo menos 1950.

A probabilidade de que o fenômeno se estenda ativo até fevereiro de 2027 beira os 100%, com base na análise integrada de dados de satélites e boias marinhas operadas por 13 centros meteorológicos globais. A confirmação do recorde, contudo, ainda dependerá do comportamento térmico efetivo dos oceanos nas próximas semanas.

Possíveis reflexos no clima do Brasil

O aquecimento incomum das águas equatoriais desregula os fluxos da circulação atmosférica em escala planetária. Historicamente, no território brasileiro, a atuação do El Niño estimula a concentração de chuvas volumosas nos estados do Sul, ao mesmo tempo em que restringe a umidade e amplia os riscos de estiagem em áreas do Norte e Nordeste.

Para o trimestre final de 2026, as estimativas climáticas confirmam uma probabilidade mais acentuada de chuvas superiores à média no sudeste do continente sul-americano, abrangendo parte do Brasil, enquanto a porção noroeste da América do Sul tende a encarar um ambiente consideravelmente mais seco.

Panorama de tempestades e secas ao redor do globo

A agência das Nações Unidas enfatiza que a anomalia elevará as chances de períodos com temperaturas acima da média em extensas áreas do planeta, favorecendo ondas de calor extremo. A distribuição pluviométrica mundial também sofrerá alterações notáveis:

  • Ásia: probabilidade de tempo seco no subcontinente indiano, acompanhado por volumes de precipitação acima da média em trechos da Ásia Central e na costa leste do continente;
  • África: previsão de chuvas mais frequentes e volumosas na região do Chifre da África;
  • América Central e Caribe: expectativa de déficit de chuvas em múltiplos setores.

Prevenção e monitoramento

Os prognósticos revelam comportamentos climáticos para janelas amplas de tempo e funcionam como subsídio estratégico para autoridades civis e órgãos governamentais no planejamento de ações preventivas contra secas, tempestades e inundações. O monitoramento contínuo dos boletins semanais segue indispensável, já que a força do evento no mar atua em conjunto com outros sistemas meteorológicos locais.