Repercussão da viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA divide o Congresso
A viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) para o exterior após a derrota nas eleições presidenciais de domingo (25) gerou forte debate entre parlamentares governistas e de oposição nesta terça-feira (27), durante a primeira sessão na Câmara dos Deputados após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Reações da base aliada Na tribuna, deputados de oposição minimizaram a saída do senador e parabenizaram a atitude diante do que chamam de hostilidade por parte de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), especialmente Alexandre de Moraes. O deputado Junio Amaral (PL-MG) parabenizou Flávio “pela inteligência para evitar a perseguição do Judiciário”. Segundo ele, os parlamentares enfrentam uma “ditadura” e o ex-candidato teria mais força política no exterior: “Não é possível liderar uma oposição dentro de um território dominado. Ele fez certo”.
O líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), usou as redes sociais para reiterar que o senador tem “apoio total” da bancada e que não há condenações pendentes contra ele. Ele classificou o cancelamento de passaportes determinado por Moraes como “perseguição”. “Quase 60 milhões de brasileiros votaram nele. Em qualquer democracia, isso se chama oposição. Aqui, se chama alvo. Um pai que protege a família desse sistema não é fugitivo. É perseguido“, publicou.
Críticas e acusações da base governista Por outro lado, parlamentares da base de apoio ao governo argumentam que a partida ocorreu devido ao receio de apurações da Polícia Federal e de futuras sentenças da Suprema Corte.
O deputado federal Bohn Gass (PT-RS) declarou no plenário: “Ele não tem segurança na sua defesa? Ou ele sabe que tem empresas em paraíso fiscal, jatinho do Vorcaro. Ele foge e confessa que tem culpa do cartório. O bandido não pode esconder, ele foge“.
Em publicação nas redes sociais, a deputada federal Tabata Amaral (SP) também criticou a decisão: “Flávio disse que era o candidato da mudança. Mas só não disse que era da mudança de país. Nada novo sobre o sol, já que Eduardo fugiu para lá também, o pai só não conseguiu por incapacidade de seu plano de fuga. Brasil, alguns de seus filhos fogem à luta sim”.
Destino incerto e investigações Inicialmente, um representante do governo norte-americano informou à CNN que o político seguia rumo à Flórida, embora o paradeiro exato nos Estados Unidos não tenha sido confirmado de imediato. Um contato próximo ao senador relatou que ele recebia ameaças de prisão no Brasil, onde é investigado por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas — acusações negadas por sua defesa.
Os boatos sobre a rota ganharam força após o portal argentino Infobae publicar que o parlamentar teria passado pela Argentina. Contudo, o governo argentino declarou em nota que “não há registro de entrada de Flávio Bolsonaro” no território.
A polêmica escalou quando Alexandre de Moraes ordenou a entrega dos passaportes em até 24 horas na segunda-feira. Como o prazo expirou às 11h de terça-feira sem o cumprimento da ordem, a Polícia Federal procedeu com o cancelamento dos documentos de viagem.



