31/10/2026

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Doença de newcastle: conheça os protocolos de biosseguridade

A defesa contra a doença de newcastle exige a aplicação diária e rigorosa de medidas preventivas nas granjas brasileiras. Diante da identificação do vírus em aves de vida livre, órgãos sanitários e entidades do setor intensificaram os alertas para proteger os plantéis comerciais. O objetivo principal é bloquear qualquer possibilidade de contato entre animais domésticos e silvestres, impedindo que espécies da fauna livre atuem como vetores na introdução de patógenos nas propriedades avícolas.

Orientações do indea-mt e o cenário atual

Mesmo na ausência de um vínculo direto entre as ocorrências recentes, a detecção do vírus na natureza eleva o sinal de alerta sobre a circulação do agente infeccioso no ambiente. Em Mato Grosso, o Indea-MT (Instituto de Defesa Agropecuária do Estado) divulgou, em 28 de outubro, a Nota Técnica nº 00016/2026. O documento traz diretrizes claras para que produtores e médicos-veterinários reforcem imediatamente os procedimentos de biosseguridade nas granjas.

As recomendações oficiais determinam a inspeção constante de telas, portas, cortinas e outras barreiras físicas dos galpões para corrigir brechas que facilitem o acesso de aves silvestres. Além disso, é necessário proteger comedouros, bebedouros, silos e depósitos de ração, manter as áreas externas limpas e eliminar resíduos de alimentos que atraiam pombos para as proximidades dos criatórios.

Controle de trânsito e barreiras sanitárias

O manejo adequado de pragas precisa ser planejado para evitar a dispersão dessas aves para outros pontos da propriedade. Outra frente indispensável é a intensificação da higienização e da desinfecção de veículos, rodas, ferramentas e equipamentos, acompanhada pelo uso obrigatório de roupas e calçados exclusivos dentro das áreas de criação.

A circulação de pessoas e automóveis deve ser limitada estritamente ao necessário. Todos os acessos precisam ser devidamente registrados para viabilizar o rastreio de quem ingressou no local e quais setores foram visitados.

Segundo o assessor técnico de Pecuária da Famato (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso), Marcos Carvalho, a mobilização dos produtores é fundamental neste momento. Ele destaca que a prevenção depende do comprometimento de toda a cadeia produtiva, com atenção redobrada às condições sanitárias das granjas e dos galinheiros.

“É fundamental que os produtores mantenham a vigilância nas propriedades. A presença de vírus nos pombos reforça a importância de impedir o contato das aves de vida livre com as aves domésticas, observar qualquer alteração no comportamento ou na saúde dos lotes e comunicar imediatamente ao Indea os sinais suspeitos”, explica.

Carvalho também chama a atenção para sintomas que podem indicar a presença da doença, como diarreia, torcicolo, secreção nasal, queda abrupta na produção de ovos e aumento da mortalidade.

Medidas essenciais de proteção nas granjas

A biosseguridade engloba um conjunto de ações voltadas a barrar a entrada e a propagação de agentes infecciosos nos estabelecimentos avícolas, devendo ser mantida de forma permanente, independentemente de surtos na região.

O controle de acesso exige restrições e cadastros atualizados de visitantes e veículos. As barreiras sanitárias impõem a troca de vestimentas para evitar o transporte de microrganismos para o interior dos galpões. A limpeza profunda de caminhões de ração e utensílios também é obrigatória antes do uso compartilhado.

A infraestrutura das instalações requer manutenções preventivas para bloquear pombos e patos, enquanto a água de consumo e nebulização precisa passar por tratamento adequado. Por fim, o monitoramento diário do rebanho e a comunicação imediata de suspeitas à Defesa Sanitária estadual ou pelo Sisbravet (Sistema Brasileiro de Vigilância e Emergências Veterinárias) completam a estratégia de defesa sanitária do setor.