10/10/2026

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Kohler fecha única fábrica no Brasil e demite 400 funcionários em Minas Gerais

A gigante norte-americana Kohler encerrou as operações de sua única unidade fabril em solo brasileiro, situada em Andradas, no Sul de Minas Gerais. O fechamento, oficializado em 31 de agosto de 2026, resultou na demissão de mais de 400 colaboradores e decretou o fim da marca Fiori.

A surpresa aos funcionários O encerramento das atividades foi comunicado aos trabalhadores exatamente no dia em que deveriam retornar aos postos após um período de duas semanas de férias coletivas. De acordo com relatos locais, os empregados receberam orientações para não se dirigirem à planta industrial e comparecerem a uma reunião na qual a drástica medida foi revelada.

Mudança estratégica e impacto das tarifas A decisão drástica faz parte de uma reformulação na rota global da companhia, que optou por focar seus aportes financeiros em mercadorias de maior valor agregado, com ênfase nos ramos premium e de luxo.

Segundo a empresa, a medida veio após uma profunda análise de portfólio para priorizar setores vistos como mais rentáveis. Além disso, o cenário internacional pesou na balança operacional. Conforme dados veiculados pelo Diário do Comércio, parte do que era fabricado em território mineiro tinha como destino final os Estados Unidos, sofrendo impacto direto das barreiras tarifárias impostas pelo governo norte-americano às exportações do Brasil.

Apesar de extinguir a produção nacional, a corporação decidiu preservar suas frentes comerciais e de distribuição no país, mantendo ativa inclusive a rede de lojas Kohler Signature.

O ocaso da marca Fiori Com a paralisação definitiva da planta fabril, encerra-se também a história da Fiori. A fabricante de louças sanitárias havia nascido em Andradas no ano de 1978, sendo comprada pela multinacional em 2014, época em que a marca estrangeira fortaleceu suas raízes no mercado brasileiro. A matriz norte-americana, por sua vez, carrega uma história iniciada em 1873 na fabricação de artigos para cozinhas e banheiros, tendo diversificado sua atuação para o setor de bem-estar ao longo das décadas.

Negociações sindicais e pacote de rescisão Imediatamente após o anúncio, o Sindicato dos Trabalhadores Ceramistas e Vidreiros de Andradas, Poços de Caldas e Caldas entrou em campo para negociar as condições de saída dos profissionais afetados.

Em assembleia realizada no dia 14 de setembro, um grupo de 228 trabalhadores votou a proposta apresentada pela companhia, que acabou aceita por 168 votos a favor, 69 contrários e uma abstenção branca.

O pacote de compensações aprovado assegura: • Quitação das verbas rescisórias previstas em lei; • Salário integral referente a todo o mês de setembro de 2026; • Bonificação indenizatória correspondente a três salários; • Extensão do cartão-alimentação no valor de R$ 500 por meio ano; • Gratificação extra para quem acumulava mais de uma década na casa; • Suporte voltado à transição de carreira durante seis meses; • Suporte psicológico por trimestre.

O pacto seguiu para homologação formal junto ao Ministério do Trabalho e Emprego.

Reação do poder público e futuro econômico Diante do baque na economia local, a Prefeitura de Andradas uniu forças com o sindicato e o empresariado a partir de 3 de setembro para desenhar estratégias de requalificação e inserção dos profissionais em outras frentes de trabalho.

A prefeita Margot Pioli iniciou articulações para atrair novos aportes financeiros para o município, avaliando inclusive a possibilidade de que o complexo industrial desativado seja adquirido por outra corporação. Enquanto isso, a administração municipal monitora com cautela os reflexos que a perda dessa receita poderá causar nas contas públicas a partir de 2028.