Golpe do falso advogado faz mulher perder R$ 28 mil e contrair dívidas
Uma moradora que acreditava ter direito a receber R$ 280 mil do INSS acabou sofrendo um prejuízo de R$ 28 mil após ser vítima do golpe do falso advogado. Acreditando ter ganhado uma causa judicial, ela seguiu instruções de criminosos, realizando transferências bancárias, saques e empréstimos cujas parcelas alcançaram R$ 162,2 mil.
Como a fraude aconteceu A trama criminosa teve início entre os dias 13 e 15 de agosto de 2025, quando a vítima recebeu mensagens de um estelionatário que fingia ser advogado e prometia o pagamento de R$ 200 mil referentes a uma ação contra o instituto de previdência. Logo após, outro golpista entrou em contato por videochamada fingindo ser promotor de Justiça, indicando os passos necessários para liberar o montante.
Seguindo as orientações dos criminosos, a mulher executou transferências via Pix e TED, retirou dinheiro em caixas eletrônicos e contratou financiamentos bancários. As perdas diretas somaram R$ 28.086, enquanto os empréstimos totalizaram R$ 162,2 mil em parcelas. Ao perceber que havia sido enganada, ela registrou boletim de ocorrência e tentou contestar as movimentações junto ao Banco do Brasil, mas o pedido de ressarcimento foi recusado.
A decisão da Justiça Diante da negativa, a mulher acionou o Poder Judiciário para tentar anular os empréstimos e cobrar reparações por danos materiais e morais, além de responsabilizar o Facebook Serviços Online do Brasil pelo uso do WhatsApp na fraude. A 6ª Vara Cível de Cuiabá, em Mato Grosso, julgou o pedido improcedente e livrou tanto a instituição financeira quanto a empresa de tecnologia de culpa.
O juiz Luis Otávio Pereira Marques apontou que os registros do processo demonstravam que a própria autora conduziu as transações financeiras sob a influência dos golpistas. Parte dos valores foi destinada a contas da própria titular em outros bancos, além de haver ocorrido saques presenciais. O magistrado entendeu que não houve invasão de conta, troca de senha por terceiros ou falhas nos mecanismos de segurança bancária e do aplicativo de mensagens que pudessem justificar uma condenação.
Consequências financeiras para a vítima Com o desfavorável veredito, a liminar que suspendia os pagamentos e protegia o nome da consumidora contra registros de inadimplência foi derrubada. Dessa forma, a instituição bancária retomou o direito de cobrar os valores dos empréstimos contratados. A autora ainda foi condenada ao pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, fixados em 10% do valor da causa para cada parte envolvida, embora a cobrança permaneça suspensa devido à concessão da gratuidade de Justiça.



