Mudanças climáticas alteram mapa da dengue no Brasil, revela estudo
As mudanças climáticas representam um dos principais impulsionadores no crescimento de enfermidades infecciosas no território nacional, de acordo com uma pesquisa desenvolvida pela Fundação Oswaldo Cruz e veiculada na revista científica Nature Medicine.
Avanço para o Sul e Centro-Oeste
O levantamento identificou uma propagação contínua da dengue em direção às regiões Sul e Centro-Oeste, locais que tradicionalmente apresentavam menor incidência do Aedes aegypti. O vetor se desenvolve em faixas térmicas que oscilam entre 18°C e 33°C. Anteriormente, as baixas temperaturas invernais na região Sul funcionavam como uma barreira natural contra a proliferação.
Impacto das anomalias térmicas
Com a elevação dos termômetros acima da média histórica, o ciclo reprodutivo do inseto permanece ativo ao longo de todo o ano. Além disso, as ondas de calor no verão intensificam a reprodução do vírus, fazendo com que microrregiões com níveis epidêmicos da doença mais do que dobrassem entre 2006 e 2024, saltando de 110 para 292 áreas afetadas.
“O que se observa é que o processo de expansão da área de transmissão da dengue parece ser irreversível. Uma vez introduzidos, o vírus e o vetor, é improvável que se retorne a um cenário de transmissão zero”, disseram os autores do estudo em entrevista à Agência Brasil.
Prevenção e cuidados contínuos
Diante desse cenário agravado também por fenômenos como o El Niño, o Ministério da Saúde reforça a necessidade de vistorias periódicas residenciais para eliminar criadouros. A população deve manter caixas d’água vedadas, descartar recipientes que acumulam água e higienizar calhas e ralos regularmente para conter o avanço do vetor.



