13/10/2026

1000x250
previous arrow
next arrow

Causa genética da pelagem dos gatos laranjas é descoberta após 60 anos

O mistério em torno da pelagem dos gatos laranjas finalmente encontrou uma resposta científica após mais de seis décadas de investigações. Dois grupos de pesquisadores conseguiram identificar uma perda pontual de DNA ligada a essa coloração característica, localizada em uma região do cromossomo X associada ao gene Arhgap36.

O enigma genético dos felinos avermelhados

O avanço científico também esclarece a razão pela qual a grande maioria dos animais inteiramente laranjas é macho, enquanto as fêmeas com essa tonalidade frequentemente exibem marcas pretas ou brancas. A explicação reside na forma como cada gênero herda e utiliza o cromossomo X.

Em declaração concedida à revista Science em 2024, o geneticista Greg Barsh, da Universidade Stanford, definiu o caso afirmando: “É um mistério genético, um enigma”. A constatação apareceu em todos os 145 gatos laranjas analisados pelo grupo norte-americano, revelando a ausência de cerca de 5 mil pares de bases de DNA em uma área não codificante conectada ao Arhgap36 — uma zona que não gera proteínas, mas regula a atividade gênica.

Testes em amostras de pele demonstraram que os felinos laranjas apresentavam cerca de 13 vezes mais RNA desse gene em comparação aos animais sem pelos dessa cor. O RNA atua como indicador de quais trechos genéticos permanecem ativos nas células.

A influência do cromossomo X nas fêmeas

Enquanto os machos possuem apenas um cromossomo X e exibem a variante de forma uniforme, as fêmeas recebem dois exemplares, um de cada progenitor. Durante o crescimento, o organismo feminino desativa aleatoriamente um desses cromossomos em cada célula da pele.

Quando o X associado ao laranja predomina em algumas regiões e o outro atua em partes distintas, surge a pelagem em mosaico típica dos gatos tartaruga e calico. Espécimes calico ainda contam com manchas brancas decorrentes de outra mutação, tornando fêmeas inteiramente laranjas extremamente raras.

Confirmação independente e impacto no Brasil

De maneira paralela, uma equipe liderada pelo geneticista Hidehiro Toh, da Universidade de Kyushu, no Japão, chegou às mesmas conclusões. O estudo publicado na Current Biology associou a alta atividade do Arhgap36 a modificações na produção de pigmentos, sugerindo uma transição da eumelanina para a feomelanina, pigmento responsável pelos tons avermelhados e amarelados.

No contexto nacional, o tema ganha relevância diante da densa população felina do país. Uma projeção do Instituto Pet Brasil, feita em conjunto com a Abinpet, registrou 30,8 milhões de gatos em território brasileiro no ano de 2023.

A descoberta reforça que a chave para entender tanto a cor dos gatos laranjas quanto a distribuição cromática entre machos e fêmeas reside em regiões do DNA que não produzem proteínas, mas exercem controle direto sobre o funcionamento genético.