17/10/2026

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Maior acervo de insetos da América Latina fica no interior de SC

No distrito de Nova Teutônia, no município de Seara, no Oeste catarinense, está localizado um dos patrimônios científicos mais expressivos do continente: o Museu Entomológico Fritz Plaumann. O local abriga cerca de 80 mil exemplares pertencentes a 17 mil espécies de insetos, consolidando-se como o maior centro dedicado à entomologia em toda a América Latina.

A trajetória de Fritz Plaumann nas matas do Sul

Essa vasta coleção é fruto da dedicação de quase sete décadas de Fritz Plaumann, pesquisador alemão que desembarcou no Brasil em 1924, aos 22 anos. Ao se fixar em Nova Teutônia, ele se encantou com a riqueza natural da região do Alto Uruguai e passou a explorar intensamente a vegetação local.

No início, os estudos dividiam espaço com as obrigações do campo e as aulas que lecionava como professor. Mesmo em uma rotina exigente, Plaumann mantinha as incursões na mata. Essa dedicação fez com que cerca de 95% de todo o acervo fosse composto por espécimes da própria região, transformando a coleção em um retrato fiel da fauna original do Oeste de Santa Catarina.

Com o passar dos anos, especialmente a partir da década de 1950, o entomologista obteve mais recursos e expandiu o raio das coletas. Ele realizou expedições por áreas do Pantanal, pelo Norte e Oeste do estado de São Paulo e também pelo Rio de Janeiro.

Contribuição histórica para a ciência mundial

A atuação autodidata de Plaumann gerou impactos profundos na biologia. Dentre as espécies catalogadas por ele, cerca de 1.500 eram totalmente desconhecidas pela ciência na ocasião em que foram identificadas. O pioneirismo rendeu homenagens internacionais: aproximadamente 150 novos insetos foram batizados com referências ao seu sobrenome.

A relevância do trabalho transpôs fronteiras nacionais. Mesmo com o acesso escasso a livros científicos na época, o pesquisador estabeleceu pontes com especialistas do exterior e abasteceu instituições científicas de 12 países, entre as quais entidades sediadas em capitais como Londres, Viena, Estocolmo e Belgrado.

Técnica minuciosa de conservação e catalogação

O rigor metodológico de Plaumann foi essencial para a integridade do acervo. Cada exemplar recebia uma etiqueta escrita à mão com identificação de gênero, espécie e sexo. O armazenamento era feito em gavetas envidraçadas com controle rigoroso de umidade e proteção contra pragas. Graças a esse cuidado, a administração do museu relata que nenhum inseto foi perdido ao longo do tempo.

A diversidade de grupos inclui besouros, cigarras, louva-a-deus, moscas, vespas, abelhas, percevejos, gafanhotos e bichos-pau. As borboletas, documentadas desde a fase de larva até a vida adulta, tornaram-se o grande atrativo da cidade e motivaram o apelido de Seara como a “Terra das Borboletas”. O acervo conta ainda com insetos de importância médica e epidemiológica, como o mosquito Aedes aegypti.

Mobilização local e gestão acadêmica

O destino da coleção enfrentou incertezas durante uma fase de restrições financeiras, momento em que surgiu o interesse de compra por parte da Universidade Federal do Paraná. Para manter o patrimônio em solo catarinense, a Prefeitura de Seara adquiriu o acervo e viabilizou a construção de uma sede própria, erguida em frente à residência histórica onde Plaumann viveu.

Fritz Plaumann faleceu aos 92 anos, em 22 de setembro de 1994. Atualmente, o museu é gerido por meio de um convênio entre a administração municipal de Seara e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), assegurando a continuidade das pesquisas e a conservação de um dos mais importantes registros faunísticos do país.